Uma análise realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pedido da Folha de S.Paulo, concluiu que cinco canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai e comercializadas como versões da tirzepatida realmente contêm o mesmo princípio ativo do Mounjaro. O estudo avaliou os medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex.
Os pesquisadores analisaram a presença, a concentração e a estrutura molecular da tirzepatida, identificando que todas as amostras continham a substância e apresentavam estrutura compatível com a do medicamento original. A pesquisa também descartou a presença de semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
Apesar do resultado, os especialistas destacam que o estudo não avaliou aspectos essenciais para garantir a qualidade dos medicamentos, como esterilidade, pureza, presença de contaminantes, eficácia clínica e segurança. Em uma das amostras, a Gluconex apresentou concentração cerca de 60% superior à encontrada no Mounjaro, enquanto as demais tiveram variações menores.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que uma análise laboratorial isolada não substitui o processo completo de registro sanitário, que inclui testes rigorosos de qualidade, segurança e eficácia. A farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também afirmou que a presença do mesmo princípio ativo não significa que os produtos sejam equivalentes ao medicamento original.
Embora os medicamentos possuam registro na autoridade sanitária do Paraguai, eles não têm autorização da Anvisa e continuam proibidos para comercialização e importação no Brasil. A venda desses produtos ocorre, principalmente, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.




