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Polícia

Facção cobrava até R$ 60 mil para liberar campanha de candidatos em bairros de Sobral, aponta investigação

Operação Omertá investiga interferência do crime organizado nas eleições e resultou na prisão e afastamento de três vereadores, além de atingir outros agentes públicos.

Portal TV Russas
Por PORTAL TV RUSSAS
· 2 min de leitura
Facção cobrava até R$ 60 mil para liberar campanha de candidatos em bairros de Sobral, aponta investigação
Facção cobrava até R$ 60 mil para liberar campanha de candidatos em bairros de Sobral, aponta investigaçãoFOTO: REPRODUÇÃO / ACERVO TV RUSSAS

Uma facção criminosa cobrava valores de até R$ 60 mil de candidatos para permitir a realização de campanhas eleitorais em bairros de Sobral, segundo investigação do Ministério Público e da Polícia Federal. O esquema é um dos alvos da Operação Omertá, deflagrada nesta terça-feira (11).

De acordo com as investigações, o chamado "pedágio eleitoral" teria valores diferentes conforme a situação do candidato. Quem não possuía mandato pagaria cerca de R$ 30 mil, enquanto políticos que já exerciam mandato teriam de desembolsar até R$ 60 mil para ter acesso a áreas sob influência do grupo criminoso.

Segundo apuração da TV Verdes Mares, a facção investigada é o Comando Vermelho. O grupo também é suspeito de tentar interferir na escolha dos eleitores por meio de ameaças e coação.

As investigações começaram em 2024 e também identificaram indícios de interferência no processo eleitoral de 2026. Conforme as autoridades, eventos e reuniões políticas previstos para acontecer em Sobral chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e de ataques contra estabelecimentos e pessoas envolvidas na organização.

A operação prevê o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.

Entre os presos estão três vereadores de Sobral: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União). Os parlamentares também foram afastados dos cargos pelo período de 180 dias.

Uma policial militar, agentes públicos, um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes da organização criminosa também estão entre os alvos. Segundo a Polícia Federal, um advogado é investigado por supostamente integrar a estrutura do grupo e exercer funções relacionadas à liderança e execução de ordens para interferir no processo eleitoral.

A Operação Omertá é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um e caso sejam condenados, por crimes como organização criminosa, extorsão relacionada ao chamado "pedágio eleitoral", corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de dinheiro.

A defesa de Mário Vicktor informou que ainda não teve acesso integral aos autos e que deverá se manifestar após analisar o processo. Até a publicação das informações divulgadas pelo g1, as defesas dos outros vereadores citados não haviam se manifestado.

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