São seis horas da manhã. Você dormiu quatro ou cinco horas, acordou cansado e sabe que seu corpo não está recuperado. Mesmo assim, levanta, coloca a roupa de treino e vai para a academia ou sai para correr.
Afinal, aprendemos que disciplina é fazer mesmo sem vontade.
E, de modo geral, manter uma rotina de atividade física é realmente uma das melhores escolhas que podemos fazer pela saúde. O problema é quando começamos a tratar qualquer pausa como falta de disciplina e esquecemos que a recuperação também faz parte do processo.
O sono tem participação importante na regulação do humor, na atenção, na memória e na recuperação física. Quando dormimos pouco, não é apenas o sono que aparece no dia seguinte. Podemos perceber maior irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de cansaço e até uma mudança na forma como o corpo responde ao esforço.
Isso também aparece nas pesquisas sobre desempenho físico. Estudos que avaliaram pessoas submetidas à privação de sono encontraram piora em diferentes tipos de exercício, incluindo resistência, força e velocidade. Outro achado interessante é que o mesmo exercício pode ser percebido como mais cansativo depois de dormir mal.
Na prática, isso não significa que uma noite ruim de sono obrigatoriamente deva cancelar qualquer atividade física.
Existe diferença entre ter dormido um pouco menos do que o habitual e passar a noite praticamente em claro. Também importa qual exercício será realizado, sua intensidade, o horário e como aquela pessoa está se sentindo naquele dia.
Uma caminhada leve depois de uma noite ruim é muito diferente de insistir em um treino intenso quando o corpo já demonstra sinais claros de exaustão.
Em uma época em que relógios contam passos, aplicativos registram treinos e as redes sociais celebram quem nunca falta à academia, descansar pode facilmente ser interpretado como fracasso. Mas nem sempre cumprir o treino planejado é a decisão mais saudável.
Às vezes, disciplina também é reconhecer que o corpo precisa dormir.




