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Esporte

O que acontece com nossas emoções quando o Brasil entra em campo?

Da expectativa antes do apito inicial à euforia de uma vitória, a Copa do Mundo mostra aspectos sobre a necessidade humana de pertencimento, identidade e conexão emocional.

Dra. Raquel Nascimento
Por DRA. RAQUEL NASCIMENTO
· 3 min de leitura
O que acontece com nossas emoções quando o Brasil entra em campo?
O que acontece com nossas emoções quando o Brasil entra em campo?FOTO: REPRODUÇÃO / ACERVO TV RUSSAS

Há algo curioso na Copa do Mundo. Durante algumas semanas, pessoas que divergem em quase tudo, passam a usar as mesmas cores, torcer pelos mesmos objetivos e compartilhar as mesmas emoções. Famílias se reúnem. Amigos trocam mensagens. O humor coletivo parece oscilar de acordo com o placar. O futebol, nesse momento, parece ocupar um espaço muito maior do que o esporte.

Mas por que um jogo de futebol é capaz de provocar emoções tão intensas?

A resposta não está apenas no esporte.

Ela está na forma como o cérebro humano foi construído.

Desde os primórdios, os seres humanos sobreviveram em grupos. Pertencer significava proteção, identidade e sobrevivência. Ainda hoje, carregamos essa necessidade de fazer parte de algo maior do que nós mesmos.

E durante a Copa do Mundo, a seleção nacional passa a representar esse sentimento coletivo. Por alguns dias, diferenças políticas, sociais, econômicas e culturais parecem perder força perante a identidade compartilhada: somos brasileiros torcendo pelo mesmo objetivo.

É por isso que muitas pessoas falam em "nós ganhamos" ou "nós perdemos", mesmo sem nunca terem entrado em campo.

O cérebro interpreta aquela equipe como uma extensão simbólica do grupo ao qual pertencemos.

Existe também outro elemento importante: a expectativa.

Antes mesmo de a partida começar, nosso cérebro já está trabalhando. Áreas relacionadas à antecipação e à recompensa são ativadas quando imaginamos uma possível vitória. A emoção não surge apenas quando o gol acontece. Ela começa muito antes, quando as ruas são pintadas ou quando as lojas se enchem de itens verde e amarelo, durante a espera, as previsões e as esperanças que depositamos naquele momento.

Talvez seja por isso que a Copa produza lembranças tão duradouras.

Muitas pessoas não se recordam do que fizeram em uma sexta-feira comum há quatro anos. Mas conseguem lembrar exatamente onde estavam em determinados jogos da seleção brasileira.

O motivo é explicado pelo funcionamento cerebral: experiências carregadas de emoção tendem a ser registradas com mais intensidade pela memória.

E então, o futebol acaba se misturando à nossa própria história.

Porque lembramos do jogo, mas também da casa onde assistimos, das pessoas que estavam ao nosso lado, da fase da vida que estávamos vivendo.

No Brasil, esse fenômeno ganha uma dimensão ainda maior.

Poucos acontecimentos conseguem mobilizar simultaneamente milhões de pessoas em torno de uma mesma experiência. Em uma época marcada por redes sociais, algoritmos e bolhas de opinião, a Copa do Mundo continua sendo um dos raros eventos capazes de criar uma emoção coletiva.

Talvez seja esse o verdadeiro encanto do torneio.

Mais do que futebol, a Copa nos lembra que somos seres profundamente sociais. Precisamos de histórias, símbolos, pertencimento e esperança.

Quando o Brasil entra em campo, não estamos apenas assistindo a uma partida.

Estamos participando, ainda que simbolicamente, de algo que nos conecta uns aos outros.

E talvez seja exatamente isso que nos emocione tanto.

Raquel Nascimento | Colunista

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