O Ceará perdeu, entre janeiro e 25 de setembro de 2026, cerca de 1,75 bilhão de metros cúbicos de água dos açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O volume perdido por evaporação seria suficiente para atender ao consumo residencial de água da população cearense por mais de três anos.
O cenário preocupa diante da intensificação do El Niño, fenômeno climático que pode elevar as temperaturas e reduzir a umidade do ar, aumentando as perdas de água dos reservatórios durante o segundo semestre.
De acordo com dados apresentados pela Cogerh ao Diário do Nordeste, a evaporação foi responsável por 81% da redução de aproximadamente 1,038 bilhão de metros cúbicos registrada nos reservatórios entre julho e setembro.
Somente nesse período, foram evaporados cerca de 845,8 milhões de metros cúbicos de água, quantidade que, segundo os cálculos da reportagem, seria suficiente para abastecer o consumo residencial do Ceará por aproximadamente um ano e nove meses.
El Niño aumenta preocupação com a reserva hídrica
A estimativa da Cogerh é de que a evaporação possa provocar perdas de 1,6 bilhão a 1,7 bilhão de metros cúbicos de água no segundo semestre. O volume é comparável à capacidade total do açude Orós.
O aumento das temperaturas e a redução da umidade relativa do ar são fatores que favorecem o processo. A projeção é de que as perdas por evaporação possam ser até 10% maiores com a influência do El Niño.
Em 1º de julho, os reservatórios monitorados estavam com 52,93% da capacidade preenchida. Na avaliação apresentada pela Cogerh, o armazenamento estadual já exige atenção, especialmente diante da possibilidade de chuvas insuficientes para garantir a recuperação dos açudes em 2027.
Regiões do Ceará já enfrentam situação crítica
O alerta é ainda maior em áreas que historicamente sofrem com a escassez hídrica. Regiões hidrográficas do Banabuiú, dos Sertões de Crateús, do Médio e do Baixo Jaguaribe tiveram situação crítica de escassez declarada pela Secretaria dos Recursos Hídricos em agosto.
Entre as medidas apontadas por pesquisadores para reduzir os impactos estão a recuperação e a preservação da mata ciliar ao redor dos açudes e mananciais. A vegetação ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar o assoreamento, processo que diminui a capacidade de armazenamento dos reservatórios.
Apesar do alerta, a evaporação é um fenômeno natural, intensificado pelas condições climáticas do semiárido. A evolução do cenário hídrico dependerá também das chuvas e do comportamento do El Niño nos próximos meses.




