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Bom Senso quer Estaduais só com sete datas em 2015

Óticas Diniz

Folha onilne

18/11/2013

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Jogadores que formam o movimento Bom Senso F.C. posam para foto. (Foto: Reprodução/Facebook/Bom Senso F.C.)
Jogadores que formam o movimento Bom Senso F.C. posam para foto. (Foto: Reprodução/Facebook/Bom Senso F.C.)

Derrotada nas eleições, a classe dominante brasileira usou o estratagema habitual: foi remexer nos compêndios do "Direito" até encontrar casuísmos capazes de preencher as ideias que lhe faltam nos palanques. Como se diz no esporte, recorreu ao tapetão.

O casuísmo da moda, o domínio do fato, caiu como uma luva. A critério de juízes, por intermédio dele é possível provar tudo, ou provar nada. O recurso é também o abrigo dos covardes. No caso do mensalão, serviu para condenar José Dirceu, embora não houvesse uma única evidência material quanto à sua participação cabal em delitos. A base da acusação: como um chefe da Casa Civil desconhecia o que estava acontecendo?

A pergunta seguinte atesta a covardia do processo: por que então não incluir Lula no rol dos acusados? Qualquer pessoa letrada percebe ser impossível um presidente da República ignorar um esquema como teria sido o mensalão.

Mas mexer com Lula, pera aí! Vai que o presidente decide mobilizar o povo. Pior ainda quando todos sabem que um outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso, assistiu à compra de votos a céu aberto para garantir a reeleição e nada lhe aconteceu. Por mais não fosse, que se mantivessem as aparências. Estabeleceu-se então que o domínio do fato vale para todos, à exceção, por exemplo, de chefes de governo e tucanos encrencados com licitações trapaceadas.

A saída foi tentar abater os petistas pelas bordas. E aí foi o espetáculo que se viu. Políticos são acusados de comprar votos que já estavam garantidos. Ora o processo tinha que ser fatiado, ora tinha que ser examinado em conjunto; situações iguais resultaram em punições diferentes, e vice-versa.

Os debates? Quantos momentos edificantes. Joaquim Barbosa, estrela da companhia, exibiu desenvoltura midiática inversamente proporcional à capacidade de lembrar datas, fixar penas coerentes e respeitar o contraditório. Paladino da Justiça, não pensou duas vezes para mandar um jornalista chafurdar no lixo e tentar desempregar a mulher do mesmo desafeto. Belo exemplo.

O que virá pela frente é uma incógnita. Para o PT, ficam algumas lições. Faça o que quiser, apareça em foto com quem quer que seja, elogie algozes do passado, do presente ou do futuro --o fato é que o partido nunca será assimilado pelo status quo enquanto tiver suas raízes identificadas com o povo. Perto dos valores dos escândalos que pululam por aí, o mensalão não passa de gorjeta e mal daria para comprar um vagão superfaturado de metrô. Mas como foi obra do PT, cadeia neles.

É a velha história: se uma empregada pega escondida uma peça de lingerie da patroa para ir a uma festa pobre, certamente será demitida, quando não encarcerada --mesmo que a tenha devolvido. Agora, se a amiga da mesma madame levar "por engano" um colar milionário após um regabofe nos Jardins, certamente será perdoada pelo esquecimento e presenteada com o mimo.

Nunca morri de admiração por militantes como José Dirceu, José Genoino e outros tantos. Ao contrário: invariavelmente tivemos posições diferentes em debates sobre os rumos da luta por transformações sociais. Penso até que muitas das dificuldades do PT resultam de decisões equivocadas por eles defendidas. Mas num país onde Paulo Maluf e Brilhante Ustra estão soltos, enquanto Dirceu e Genoino dormem na cadeia, até um cego percebe que as coisas estão fora de lugar.

Uma das propostas de calendário do futebol brasileiro para 2015, formulada pelo jogadores que participam do Bom Senso F.C., transformaria os Estaduais em torneios curtos, com apenas sete datas, em formato de disputa igual ao da Copa do Mundo.

Enxugar essas competições locais seria a forma de ter na temporada no máximo 72 jogos, número considerado ideal pelo movimento dos atletas que pede melhorias no futebol. Haveria menos semanas com duas partidas e as datas Fifa, quando há jogos de seleções, não seriam preenchidas com jogos de clubes brasileiros, algo que o calendário que a CBF imagina para 2015 não prevê.

Em 2014, um clube no Brasil entrará em campo 83 vezes se chegar às finais de todas as competições -como comparação, na Alemanha uma equipe atua no máximo 55 vezes em uma temporada.

O modelo do Bom Senso não mexeria no formato atual das Séries A e B do Brasileiro -disputadas por 20 clubes em formato de pontos corridos-, mas colocaria nas Série C e D os demais times profissionais do Brasil.

Dessa maneira, todos os clubes do país que disputam torneios, aproximadamente 650 em levantamento feito pelo Bom Senso, teriam atividade por dez meses do ano.
Em 2013, a CBF organizou as quatro séries com 99 clubes. Os demais tiveram que jogar torneios regionais deficitários ou simplesmente ficar parados durante quase todo o segundo semestre.

A Copa do Brasil seria disputada no ano todo, por todos os mais de 650 times, com os menores disputando as etapas eliminatórias preliminares e os maiores entrando apenas nas fases finais -modelo que é adotado por ligas como a inglesa, por exemplo.

O Bom Senso ainda não tem o projeto de calendário totalmente fechado porque procura um argumento que prove aos clubes que o dinheiro que perderiam com menos jogos nos Estaduais poderia ser recuperado no restante da temporada.

Uma das estratégias será apresentar o modelo diretamente à TV Globo, que detém os direitos de transmissão do futebol no Brasil. A Folha apurou que o grupo avalia que, se a Globo entender que há viabilidade econômica na proposta e apoiá-la, a CBF terá que ceder.

COPAS ESTADUAIS

Reduzir muito os Estaduais é um dos embates entre o Bom Senso e a CBF, que é contra. Vice da entidade e presidente da Federação Paulista, Marco Polo Del Nero já disse que o Estadual de São Paulo não pode ser disputado com menos de 19 datas, número que será usado em 2014.

No projeto que está sendo elaborado pelo Bom Senso, os Estaduais seriam parte da pré-temporada dos clubes, que poderiam usar os sete jogos para entrosar novos contratados, por exemplo.

Jogadas em sedes fixas (cidades do interior), as "Copas Estaduais" teriam 32 times, divididos em oito grupos, classificando dois de cada para as oitavas de final, seguindo com mata-matas até a final -sete datas no total.

Nos Estados com menos de 32 times por exemplo, a proposta seria convidar equipes amadoras para participar da competição, como acontece em ligas europeias.

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