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Pesquisa diz que 66% dos brasileiros usam camisinha na primeira vez

Óticas Diniz

G1

01/10/2013

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Pesquisa ouviu 30 mil pessoas em 37 países (Foto: Sxc.hu/Paul Preacher)
Pesquisa ouviu 30 mil pessoas em 37 países (Foto: Sxc.hu/Paul Preacher)

Os brasileiros são os que mais usam preservativo na primeira experiência sexual,  de acordo com a pesquisa “Durex Global Face of Sex”, que ouviu mais de 30 mil pessoas de 37 países. O levantamento diz que 66% dos brasileiros afirmam terem usado camisinha na primeira vez. Esse foi o índice mais alto de proteção encontrado nos países envolvidos no estudo, que foi promovido pela fabricante de preservativos Durex.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 39,6% dos entrevistados afirmaram terem usado camisinha na primeira vez.

"Comparativamente com outros povos, o brasileiro usa mais preservativo, mas o número está aquém do desejado”, diz a médica Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A pesquisa - cujos resultados foram comentados durante o 21º Congresso da Associação Mundial de Saúde Sexual, que aconteceu em Porto Alegre, na semana passada - concluiu também que, entre os que se protegem durante a primeira vez, existe uma chance três vezes maior de continuar usando camisinha ao longo da vida sexual.

Para o levantamento, foram entrevistados 1004 brasileiros de 18 a 64 anos, 54% dos quais eram homens e 46%, mulheres. “O fato de a pessoa já ter iniciado a vida sexual utilizando o preservativo significa que ela já foi alertada, devidamente orientada e que está ciente de que precisa se proteger”, diz Carmita.

Educação sexual

A pesquisa também apontou que a educação sexual tem um papel importante no estímulo ao uso de camisinha. Dados mostram que os participantes que nunca tiveram educação sexual apresentam uma probabilidade 47,1% menor de terem usado camisinha na primeira experiência sexual.

Segundo Carmita, o fato de o Brasil ter o maior índice de proteção na primeira vez coincide com o fato de o país iniciar a educação sexual mais cedo, entre os países abordados pela pesquisa. Enquanto o adolescente brasileiro de 13 anos já começa a ter educação sexual, em outros países, a média é que esse tipo de instrução se inicie aos 14 anos.

“Essa é uma coincidência interessante. Mas mesmo 13 anos não é uma idade tão favorável. No Brasil, quando se começa a educar, muitos já iniciaram a vida sexual sem ter a oportunidade de ter essa orientação.”, diz. Dos 37 países que participaram do estudo, o Brasil tem a menor média de idade de início da vida sexual: 17,3 anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média é de 18,4 anos.

Ainda que a educação sexual esteja estabelecida nos currículos escolares, na prática, esse ensino nem sempre é adequado, segundo a médica. “O professor se vê com uma tarefa muito difícil especialmente porque ele próprio não teve educação sexual e não teve preparo para a disciplina que deve ministrar. Falta tranquilidade para falar do assunto de forma direta, sem preconceito e podendo responder às perguntas com base no conhecimento”.

Os pais não se sentem confortáveis e nem totalmente informados para proporcionar uma educação sexual para os filhos. “Eles esperam que escola supra essa necessidade”, observa Carmita. De acordo com a pesquisa “Mosaico Brasil”, estudo coordenado por Carmita em 2008 sobre o comportamento sexual do brasileiro que entrevistou 8.200 pessoas, 40% dos brasileiros não praticam ou não consideram válida a educação sexual em família.

Menos DSTs

Quem usou camisinha na primeira vez teve ainda uma probabilidade “significantemente menor” de ter uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez não planejada ao longo da vida, de acordo com o levantamento internacional.

Uma primeira vez não planejada também diminui a chance do uso de preservativo: segundo o estudo, quem não planejou a experiência apresentou uma probabilidade 28,7% menor de ter recorrido à proteção.

O perfil do indivíduo com maior probabilidade de utilizar preservativo em sua primeira experiência sexual, segundo o estudo, é aquele vindo de uma família de renda média ou alta, que é estudante, que está em um relacionamento (mas não casado), que planejou a relação sexual e que recebeu educação sexual.

Apesar de o Brasil ter tido resultados positivos em relação a outros países, ainda há muito trabalho a ser feito, segundo Carmita. “O desejado é que todas as pessoas que estivessem fazendo sexo de forma múltipla ou de forma não exclusiva utilizassem preservativo em todas as relações”.

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