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Ceará: 5 mil detentos ganham emissora de rádio

Óticas Diniz

G1 CE

24/09/2013

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Cíntia Corvelo apresenta programa (Foto: Sejus/Divulgação)
Cíntia Corvelo apresenta programa (Foto: Sejus/Divulgação)

Cerca de 5 mil detentos do Ceará ganharam um canal de comunicação direta com familiares e a sociedade. Desde o início do ano eles têm a oportunidade de ouvir, diariamente, a programação da Rádio Livre, uma emissora criada pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) que já atinge seis penitenciárias com programação musical, serviços de utilidade pública, dicas de saúde e de leitura, educação, cultura e orientações jurídicas.

A programação da emissora chega às penitenciárias  da região metropolitana de Fortaleza, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 19 horas, por meio de caixas de som distribuídas nos corredores e pátios das unidades prisionais.

Um dos programas de maior audiência é o ''Se Intera'' (se liga), um programa de variedades comandado por Cíntia Corvelo, que cumpre pena em regime semiaberto em Fortaleza. No programa, são veiculados “spots” com resumos de novelas, dicas de filmes e serviços de utilidade pública. Às quartas-feiras, o programa tem uma hora de duração e, ao vivo, transmite música, dicas de cultura, recados de parentes e familiares e informações sobre saúde e direito, além de horóscopo.

 Aluna do 4º semestre do curso de história da Universidade Federal do Ceará, Cíntia nunca tinha trabalhado em rádio até julho deste ano, quando foi convidada para participar do programa, após ter passado para o regime semiaberto. “Meu único contato com rádio foi quando dei entrevistas por ter sido a primeira interna a usar tornozeleira eletrônica para cursar a faculdade em março de 2012”, explicou a locutora que desde junho cumpre pena no regime semiaberto, por coautoria de homicídio.

Na avaliação de Cíntia, a Rádio Livre é muito mais do que um veículo de entretenimento e tem uma grande importância na ressocialização dos detentos, aproximando-os das famílias. “A rádio foi muito bem aceita em todas as unidades prisionais e se transformou em uma ponte entre a liberdade e o cárcere”. Segundo ela, os quadros do programa com maior audiência, além dos recados dos familiares, são o horóscopo e o resumo das novelas. “Algumas unidades não têm biblioteca, mas eu sempre dou dicas de leitura no programa. O presídio não pode ser um vazio cultural”, completou Cíntia que recebe 75% do valor do salário mínimo pelo trabalho na rádio.

Por meio da internet, a programação, que é feita no estúdio da Sejus, chega simultaneamente às Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) II, III, IV de Caucaia, na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, e no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPF). Para dar mais dinâmica à rádio, os momentos musicais são intercalados com notícias de interesse dos detentos, atividades programadas, recados e mensagens de familiares.

Com o slogan “ Rádio Livre, a liberdade está no ar”, a rádio também se transformou num canal de comunicação eficiente. "Precisávamos chegar de forma direta aos internos do sistema penitenciário para falar sobre ressocialização. Muitas vezes, eles só têm atenção dos meios de comunicaçãopelo viés da violência. Queríamos mostrar que há espaço para eles em outras áreas, como educação, saúde, esporte, mensagens de parentes, assuntos que os conectem com outras realidades e oportunidades. Acreditamos que o preso pode ser protagonista de uma nova história", explica a secretária da Justiça e Cidadania do Ceará, Mariana Lobo.

Projeto da assessoria de comunicação da Sejus, a rádio foi remodelada e ganhou novo formato em março deste ano. Até então, ela só veiculava música ambiente e recados de familiares para os internos da CPPL II. “Além de música, incluímos programas de educação, de orientações jurídicas, programas de saúde, notícias, reflexões religiosas e programa de entretenimento. É impressionante, mas na hora dos recados, faz-se um enorme silêncio nos presídios. Depois de ouvi-los, os internos, batem palmas”, acrescentou o jornalista.”, informou o jornalista Felipe Sampaio, da Sejus.

Os detentos participam enviando sugestões de programação, pedidos de música e perguntas aos apresentadores. Em cada unidade prisional onde a rádio chega há uma caixa onde são depositadas os pedidos dos detentos. Os familiares também participam ativamente gravando mensagens e recados e têm acesso à programação por meio da internet, no site da Sejus (www.sejus.ce.gov.br). A expectativa é de que outras penitenciárias também recebam o sinal da rádio. A ampliação do projeto prevê a inclusão do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II e a Casa de Privação Provisória de Liberdade I.

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