Uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada nesta terça-feira (27), apontou que Fortaleza é a quinta capital com maior taxa de pessoas com excesso de peso no país. Ao todo, 52,8% da população fortalezense apresenta alto índice de gordura e 18,8% já se encontra em estado de obesidade.
Para o presidente da Associação dos Pacientes Obesos e Ex-obesos do Estado do Ceará, Rubem Costa, a posição da capital cearense é grave. “Não tinha noção desse número. Isso é grave. A gente tem que fazer a prevenção, porque por enquanto estamos combatendo o mal. Temos que mudar sistema de alimentação, uma reeducação”, disse.
A pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 51% da população (acima de 18 anos) está acima do peso ideal. Em 2006, o índice era de 43%. Entre os homens, o excesso de peso atinge 54% e entre as mulheres, 48%.
Em Fortaleza, os números não são diferentes dos nacionais. Com excesso de peso, se encontram 56,2% dos homens contra 49,6% das mulheres. Já com obesidade, a taxa é quase a mesma: homens obesos são 18,7% e mulheres obesas são 18,8%.
De acordo com Costa, o número de mulheres que participam da associação é 80% superior ao de homens. “Isso pode ser porque o homem é mais acomodado. A mulher geralmente se importa mais com a questão da estética e da saúde”.
De acordo com o ministério, o estudo retrata os hábitos da população e é um importante instrumento para desenvolver políticas públicas de saúde e estimular os hábitos saudáveis. Nesta edição, foram entrevistados 45,4 mil pessoas em todas as capitais e no Distrito Federal, entre julho de 2012 a fevereiro de 2013.
Falta de cirurgias
Segundo Costa, atualmente, somente no Hospital César Cals são realizadas as cirurgias para obesos na rede pública. “Desde o dia 12 de junho teve uma pausa e ainda não voltou. Estamos lutando por isso”, afirmou. Segundo o presidente, eles também querem o aumento de hospitais públicos que disponibilizem esse serviço.
Além disso, ele ressaltou que, ao todo, são realizadas 80 cirurgias por ano, sendo cerca de duas por semana. Costa também destacou que o hospital é o único do Brasil que faz a operação por vídeo. “Isso é muito bom, porque diminui o risco do paciente, o tempo de recuperação”.
“A fila de espera tem que andar. No Ceará, são 280 obesos que estão se preparando para a cirurgia, na fase de fazer os exames, mas o atendimento paralisou. Já nos postos de saúde, ainda aguardando a primeira consulta, são cerca de 1.500 pessoas. Então, temos que ampliar o número de hospitais para fazer a cirurgia. Não é só pela obesidade, mas por todas as doenças que surgem em seguida”, considerou.
Alimentação
De acordo com o Ministério da Saúde, apesar de a obesidade estar relacionada a fatores genéticos, há importante influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no aumento dos índices brasileiros. Forte aliado na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, o consumo de frutas e hortaliças está sendo deixado de lado por uma boa parte dos brasileiros.
Apenas 22,7% da população ingerem a porção diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções ao dia. Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada: 31,5% da população não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (53,8%) consome leite integral regularmente. Os refrigerantes também têm consumidores fieis – 26% dos brasileiros tomam esse tipo de bebida ao menos cinco vezes por semana.
Fases da vida
Ainda segundo o ministério, se na faixa etária entre 18 e 24 anos, 28% da população está acima do peso ideal, a proporção quase dobra na faixa etária dos 35 anos aos 44 anos, atingindo 55%. O percentual de obesidade acompanha este crescimento e mais que dobra se comparados os dois períodos: 7% para 19%, respectivamente. Com o passar dos anos, os brasileiros também tendem a diminuir a prática da atividade física: 47% dos jovens com idade entre 18 a 24 anos se exercitam regularmente. E entre 35 a 44 anos, o índice cai para 31%.
O Vigitel 2012 mostra ainda que o envelhecimento da população reflete positivamente na alimentação do brasileiro. Se entre os 18 e 24 anos mais da metade dos homens brasileiros come carne com gordura regularmente (48%), este índice cai para 27% entre aqueles que já passaram dos 65 anos. O fenômeno se repete com o consumo de refrigerante. Entre os jovens com idade entre 18 e 24 anos, 36 % declararam tomar regularmente a bebida. Aos 65 anos, o percentual cai para menos de um terço, ficando em 12%.
Em contrapartida, há aumento de consumo de frutas e hortaliças nas faixas etárias superiores. Entre os 18 e 24 anos, 17% comem cinco porções/dia e 24% cinco porções semanais. Aos 65 anos, os percentuais aumentam para 28% e 46%, respectivamente.
Dados de excesso de peso por capital:
| Capitais/DF | Total (%) | Masculino (%) | Feminino (%) |
|---|---|---|---|
| Aracaju | 51,5 | 60 | 44,6 |
| Belém | 50,4 | 57,2 | 44,6 |
| Belo Horizonte | 48,1 | 52 | 44,7 |
| Boa Vista | 47,5 | 52,9 | 42,3 |
| Campo Grande | 56,3 | 61,4 | 51,6 |
| Cuiabá | 51,8 | 57,7 | 46,3 |
| Curitiba | 51,6 | 55,5 | 48,1 |
| Florianópolis | 48,6 | 50,2 | 47,2 |
| Fortaleza | 52,8 | 56,5 | 49,6 |
| Goiânia | 49,4 | 52,0 | 47 |
| João Pessoa | 50,9 | 55,3 | 47,3 |
| Macapá | 51,7 | 55,0 | 48,6 |
| Maceió | 52,4 | 56,4 | 49 |
| Manaus | 52 | 52,6 | 51,5 |
| Natal | 52,2 | 54,9 | 50,0 |
| Palmas | 45,3 | 53 | 38,1 |
| Porto Alegre | 54,1 | 59,9 | 49,3 |
| Porto Velho | 52,4 | 55,8 | 48,9 |
| Recife | 53,3 | 54,3 | 52,4 |
| Rio Branco | 53,9 | 57,8 | 50,3 |
| Rio de Janeiro | 52,4 | 54,7 | 50,4 |
| Salvador | 47,3 | 45,8 | 48,7 |
| São Luís | 45,3 | 52,3 | 39,5 |
| São Paulo | 52,1 | 56,1 | 48,6 |
| Teresina | 46,4 | 53,2 | 40,8 |
| Vitória | 48,0 | 55,2 | 42 |
| Distrito Federal | 46,6 | 49,3 | 44,2 |
Dados de obesidade por capital:
| Capitais/DF | Total (%) | Masculino (%) | Feminino (%) |
|---|---|---|---|
| Aracaju | 18 | 19,5 | 16,8 |
| Belém | 16,1 | 17 | 15,3 |
| Belo Horizonte | 14,5 | 13,3 | 15,5 |
| Boa Vista | 15,1 | 14,9 | 15,3 |
| Campo Grande | 21 | 19,6 | 22,3 |
| Cuiabá | 19,2 | 19,5 | 18,9 |
| Curitiba | 16,3 | 16 | 16,6 |
| Florianópolis | 15,7 | 16,2 | 15,4 |
| Fortaleza | 18,8 | 18,7 | 18,8 |
| Goiânia | 14 | 11,8 | 15,9 |
| João Pessoa | 19,9 | 21,1 | 18,9 |
| Macapá | 17,6 | 15,7 | 19,3 |
| Maceió | 19,9 | 18,5 | 21,1 |
| Manaus | 19,6 | 19,1 | 20 |
| Natal | 21,2 | 19,9 | 22,3 |
| Palmas | 15,7 | 15 | 16,4 |
| Porto Alegre | 18,4 | 17,8 | 18,9 |
| Porto Velho | 18,9 | 18,3 | 19,6 |
| Recife | 17,7 | 16,8 | 18,3 |
| Rio Branco | 21,3 | 18,5 | 23,9 |
| Rio de Janeiro | 19,5 | 17,1 | 21,5 |
| Salvador | 14,1 | 9,8 | 17,7 |
| São Luís | 13,2 | 14,2 | 12,3 |
| São Paulo | 17,8 | 17,6 | 18 |
| Teresina | 15,0 | 16,3 | 13,9 |
| Vitória | 15,5 | 17,0 | 14,2 |
| Distrito Federal | 14,3 | 13,5 | 14,9 |
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