A poucas horas de encerrar o prazo de inscrição na primeira etapa do programa “Mais Médicos”, do Governo Federal, 40 prefeituras do Ceará consideradas prioritárias pelo Ministério da Saúde (MS) ainda não oficializaram interesse de adesão à medida. O balanço foi divulgado no fim da tarde de ontem. As administrações têm até a meia-noite de hoje para inscreverem-se. Segundo o MS, não haverá prorrogação de data e o início da segunda fase ainda não tem previsão de início.
O perfil de beneficiário urgente foi traçado pelo Governo considerando a criticidade de indicadores de vulnerabilidade social. O Ceará é o terceiro estado brasileiro com o maior número de localidades nessa situação (128). Fica atrás apenas da Bahia (264) e do Maranhão (147).
Qualquer prefeitura, no entanto, pode pleitear os recursos financeiros e o envio de médicos previstos no Programa. Das 115 cidades cearenses inscritas até agora, 27 estão fora da lista prioritária do MS - as 88 restantes, portanto, encaixam-se nela. (ver mapa). Em todo o País, 2.552 municípios aderiram ao “Mais Médicos”, sendo 887 (34%) tidos como prioritários.
As 40 administrações prioritárias do Ceará e ainda não inscritas representam um contingente populacional de quase 1,2 milhão de pessoas - o correspondente a 14% dos habitantes do Estado.
Em nota divulgada ontem junto com o balanço parcial, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enalteceu a importância do programa - contestado pela Associação Médica Brasileira (AMB) em três ações na Justiça e apoiado pela Opas/OMS, braço da Organização Mundial da Saúde para as Américas.
Padilha acredita que a iniciativa resolverá boa parte dos problemas da saúde pública brasileira. “Com esse programa, estamos enfrentando um dos grandes desafios da saúde pública brasileira, que é levar mais médicos para perto da população, especialmente para as regiões onde faltam profissionais. Sabemos que um médico junto da população faz diferença. Além disso, estamos fortalecendo a atenção básica, que é capaz de resolver 80% dos problemas de saúde sem a necessidade de recorrer a um hospital.”
No Ceará, o programa também é criticado por entidades da classe médica, que promoverão paralisações em hospitais públicos e privados nas próximas terça e quarta-feira, 30 e 31.
Somente atendimentos de urgência e emergência serão feitos, conforme o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (Simec), José Maria Pontes. “Querem jogar a população contra os médicos dizendo que faltam médicos no país. Mas temos médicos bastante. Médicos que querem fazer concurso público. Nós queremos o aumento do orçamento da saúde pública. Queremos melhorar os hospitais.”
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