Russas. Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Russas (Ascamarru) está perto de por em prática o projeto piloto de coleta seletiva neste município. A informação foi dada pela agente da Cáritas de Limoeiro do Norte, Silvania Mendes, que é uma das responsáveis em acompanhar o trabalho dos catadores na região. Segundo o cronograma, as atividades devem começar no próximo mês de julho.
João, onde mora a maioria dos catadores. No local está sendo construído um galpão, que servirá para o trabalho de coleta seletiva dos resíduos recicláveis FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR
Em recente reunião, o prefeito Weber Araújo, juntamente com o coordenador de Meio Ambiente do município, Ricardo Queiroz, e o pároco deste município, padre Marcos, que também acompanha a Associação dos Catadores, discutiram sobre o projeto para implantação do programa piloto no município. Na reunião, ficou acordado que a Prefeitura custearia o aluguel do carro e do galpão para realização do trabalho dos catadores.
A previsão para o início da coleta seletiva em nível experimental está marcado para o dia 8 de julho, segundo o cronograma do plano de ação recém aprovado. No dia 7, haverá entrega solene do galpão à associação, que está sendo construído na comunidade Alto São João, onde reside a maioria dos catadores e onde está instalado o lixão da cidade.
Estarão no roteiro de coleta, primeiramente, comércios, instituições públicas e privadas e escolas. Serão recolhidos materiais de plástico, vidro, metal e papel. Além disso, óleos e gorduras residuais (OGR), os óleos de cozinha. Todo material será levado para o galpão onde será feita uma triagem e vendido para as indústrias transformadoras.
Desde 2010, os catadores deste município vêm se mobilizando para garantir o mínimo dos direitos para que possam exercer seu trabalho. Naquele ano foram realizadas audiências públicas para discutir ações voltadas para a coleta seletiva local.
"Em 2011, nós formamos a associação, mas até hoje não trabalhamos como tal porque não possuímos condições para isso. Não temos um galpão próprio para separação dos materiais, nem um carro que realize a coleta", conta o presidente da Ascamarru, Wellinton da Silva. A luta da associação é para que a Prefeitura contribuísse nas condições necessárias para realização do trabalho.
Atualmente trabalham no lixão mais de 30 catadores, sendo 22 destes pertencentes à Associação. Eles ficam expostos debaixo de um sol forte diariamente, correndo riscos de contrair doenças, para garantir o mínimo para sobrevivência com a coleta de materiais recicláveis. A luta dos catadores vem aos poucos dando resultado.
Ano passado foi aprovada, pela Câmara de Vereadores, a Lei n° 1397, de 1º de novembro de 2012, que autoriza o Poder Executivo a conceder auxílio financeiro para a Associação dos Catadores de Russas e para a Associação Comitê de Defesa o Meio Ambiente de Flores (Codemaf). O valor a ser doado mediante o orçamento da época foi de R$ 2.275,00, sendo 50 % do pedido pela associação. O valor foi considerado pelos catadores como insuficiente para custear as despesas de aluguel de carro, galpão, água e energia.
A Lei, que ainda não foi efetivada pela atual gestão, precisa ser revista, segundo Silvânia Mendes. "Essa lei vai garantir autonomia para a Associação no gerenciamento do projeto de coleta seletiva. Foi importante essa conquista do galpão e do carro para iniciarem os trabalhos, mas é a Prefeitura que ficará gerenciando todo o processo", explica.
De acordo com ela, é necessário que os municípios criem uma lei municipal de coleta seletiva, de modo a assegurar direitos e autonomia às associações de catadores para realização do trabalho. "Em longo prazo vamos continuar batalhando pela revisão e execução da Lei n° 1397, para dar mais segurança aos catadores do município", ressaltou Silvânia.
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