O Ceará pode receber um centro de pesquisa do oceano. A ciência brasileira vai ganhar o reforço de um novo navio oceanográfico de grande porte e um novo instituto nacional, com quatro centros de pesquisa espalhados pela costa. O Ceará está cotado para alocar um desses pontos, mas a localização oficial ainda não está definida. A informação do jornal Estadão é de que fontes afirmaram que já estaria praticamente decidido que o do Atlântico Tropical será no Ceará, o do Atlântico Sul no Rio Grande do Sul, o de portos e hidrovias no Rio de Janeiro, e o de pesca e aquicultura em Santa Catarina. “Tem mais influência política do que justificativa técnica nessas decisões”, afirma uma fonte. Novo instituto Na sexta-feira (24), foi criado o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias (Inpoh), em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, no Centro do Rio de Janeiro. Houve a criação de uma associação civil que pretende se credenciar como organização social (OS), apta a assinar contratos de gestão com o poder público e com a iniciativa privada. A ideia é que o instituto funcione num modelo semelhante ao do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, uma OS que gerencia quatro laboratórios nacionais em Campinas – de luz síncrotron, biociências, biotecnologia do etanol e nanotecnologia. Dessa forma, o Inpoh poderá firmar contratos com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para gestão de projetos e programas específicos, sem fazer parte do organograma da pasta – libertando-o, assim, de várias amarras burocráticas e legais que costumam atravancar o funcionamento da máquina pública. Projetos Um dos projetos que o instituto deverá pleitear é o contrato de gestão do novo navio. “Não é algo que está na nossa agenda inicial, mas certamente há a expectativa de que o Inpoh possa se capacitar para isso num segundo momento”, disse o engenheiro oceânico Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, escolhido como diretor provisório da associação. O objetivo maior do Inpoh, segundo ele, será “colocar o Brasil em linha com os países desenvolvidos” no campo das ciências oceanográficas, tanto para fins de pesquisa quanto de exploração sustentável dos recursos marinhos. “Eu diria que é um marco histórico para o Brasil; um passo de afirmação sobre a necessidade de conhecermos essa parte oceânica do País, que nas próximas décadas terá uma relevância econômica muito importante para o projeto de nação que buscamos construir”, afirma Estefen. Divisão O instituto deverá ter quatro centros de pesquisa: dois dedicados à oceanografia (um para o Atlântico Tropical e outro para o Atlântico Sul), um dedicado à pesca e aquicultura e outro voltado para portos e hidrovias. A ideia original, na concepção do projeto, era que o Inpoh tratasse apenas de oceanografia, mas as questões hidroviárias e portuárias foram incluídas por demanda da presidência da República.
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