Crescimento do segmento foi de 328,5% no município da região jaguaribana na última década e meia
Russas. Nos últimos 15 anos, o setor de material de construção demonstrou melhor desempenho no comércio local, segundo dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Russas (CDL). Neste período, o número de estabelecimentos mais que triplicou no município. Segundo um dos lojistas, o segredo está em administrar bem o negócio.
Impulso no setor tem colaborado para o surgimento de empregos e geração de renda para as famílias que residem e trabalham na região FOTO: ELLEN FREITAS
Segundo o presidente da CDL, Martins Dantas, o setor é um dos que mantêm o bom desempenho dos últimos anos. "Hoje, Russas é uma cidade que está na rota de novos investimentos, seja dos empresários da própria cidade ou de outras regiões. Esse potencial de crescimento tem afetado diretamente o setor da construção civil e representa aumento de vendas para loja de material de construção", afirma.
Dantas explica que o crescimento da cidade causa impacto positivo na renda na geração de empregos, no crescimento do comércio e na melhoria de renda das famílias. Com mais dinheiro circulando dentro da cidade, há uma potencial melhoria na qualidade de vida.
Vagas
Ainda sobre empregos, o presidente conta que o município é um dos que mais gera empregos na região. "Só a indústria calçadista gera em torno de 4 mil empregos e a indústria ceramista também emprega nessa faixa. Hoje, muita gente tem condições de reformar suas casas e investir em pequenos imóveis", relata. De acordo com dados da CDL, nos último 15 anos, o número de lojas especializadas em material para construção cresceu 328,5%. "Antes eram cerca de 7 pequenos comércios, hoje estão atuando trinta lojas não somente no centro comercial", destaca Dantas.
O processo de descentralização do setor demonstra, segundo o presidente, o potencial dos bairros em movimentar o comercio local. Ele explica que a maior parte das lojas deste setor estão descentralizadas do centro comercial da cidade e atuam nas periferias, atendendo à população dos bairros e comunidade rurais adjacentes. Com espaços maiores, as novas lojas buscam ofertar todos os materiais para construção, como ferro, cimento, areia, além da parte elétrica, hidráulica e marcenaria. Como exemplo ele cita o Depósito Boa Vista, localizado no bairro de Fátima que atende também a demanda das comunidades de Ingá e Boa Vista, localidades com grande potencial econômico por abrigar indústrias ceramistas.
Há uma expectativa de que os próximos anos a cidade passe por um novo momento de crescimento econômico. "Estamos vivenciando uma expansão imobiliária muito importante, o comércio, em todos os setores, tem diversificado um mix de produtos, procurando atender todas as necessidades dos clientes e a qualidade no atendimento também tem sido superior na última década", comemora Dantas.
Lojas
Uma das lojas mais tradicionais do ramo é a Casa do Construtor, atuante no município há 25 anos. De acordo com a empresária Maria Coutinho, mais conhecida como Lôra, o setor da construção é um dos melhores, porque não acompanha a moda. "Quando nós deixamos de vender algum produto é por alguma determinação. Esse setor acompanha moda, então nossos produtos sempre estão em destaque na prateleira", afirma.
Segundo ela, um dos grandes segredos para se manter no comércio e ir crescendo aos poucos, e com recurso próprio, evitando assim o endividamento junto aos bancos. Desde sua instalação a loja trabalha com produtos para instalação elétrica, hidráulica, cerâmicas, tintas e demais produtos de acabamento de construções. Sete funcionários trabalham no atendimento e são orientados diretamente pelos proprietários. "O atendimento corpo a corpo do dono da loja direto com o cliente faz toda a diferença", destaca Lôra.
De acordo com Izac Coutinho, também proprietário da loja, a indústria ceramista na cidade foi essencial para o crescimento de lojas ligadas à construção civil. "A cidade é grande produtora de telhas e tijolos e atende ao mercado interno com preços mais baratos. Um milheiro de tijolo na cidade você compra por R$ 300, em Fortaleza esse preço vai à R$ 500, por exemplo", diz.
Ritmo bom
A loja tem crescido em média 5% por ano, segundo os proprietários, mesmo com a crise na economia nacional. Izac conta que depois de 1995, houve um período em que foi registrado um crescimento de 50%. De 2008 a 2009, esse crescimento se manteve em 20%.
Segundo observa os empresários, o padrão de comportamento do consumidor mudou nos últimos anos. "Hoje o cliente ele não procura só a qualidade dos produtos e bom atendimento, também temos que oferecer um serviço de entrega rápida e facilidades no pagamento. Nos últimos três anos houve grande crescimento na venda com cartões, que é uma segurança maior para nós e para os clientes", destaca.
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