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Ceará vive cenário de contradição

Óticas Diniz

Karlla Camila

22/03/2013

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Enquanto parte da população do Interior sofre com os efeitos da seca, na Capital, outros desperdiçam água

Hoje o planeta comemora o Dia Mundial da Água. No entanto, enquanto alguns Estados falam sobre a importância de preservar esse líquido vital, o Ceará se revela um cenário de contradições: no Interior, os reservatórios estão com apenas 30% da capacidade e a população não tem água, sequer, para beber. Já na Capital, parte dos moradores não tem consciência da necessidade do racionamento, e uma outra parcela convive com o desabastecimento gerado por problemas técnicos.

Em diferentes bairros da cidade de Fortaleza, moradores convivem com a falta de água constante, embora a Cagece garanta que não há racionamento e que o recurso está garantido em 2013, apesar da estiagem FOTO: WALESKA SANTIAGO

Tomar banho, escovar os dentes, lavar louça, roupa, carros. Para beber, cozinhar e manter e saúde. Durante todo o dia, a água é utilizada em diversos momentos. Nos últimos anos, aquele assunto que parecia utopia ficou mais frequente nas rodas de conversas, e as consequências do desperdício do recurso hídrico já começaram a ser sentidas, principalmente no Interior.

A Companhia de Água e Esgoto (Cagece) afirma que Fortaleza tem total segurança hídrica em 2013. Por outro lado, a professora o Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ticiana Studart, ressalta que é necessário realizar campanhas de racionamento de água, já que grande parte dos moradores da Capital não tem consciência da proporção da seca que está presente no Interior do Estado e, portanto, precisa ser alertada.

Caso não haja essa consciência, Ticiana afirma que, no próximo ano, o cenário da Capital pode ser bem diferente. "Sem chuva, não sabemos se no próximo ano Fortaleza ainda terá a mesma segurança hídrica. É perceptível que boa parte das pessoas na Capital não sabem da intensidade da falta de água no Interior. Isso acontece porque elas têm acesso fácil ao recurso. A população sabe apenas o que está passando na televisão. Diante disso, é preciso realizar campanhas educativas para que os moradores de Fortaleza percebam o quanto esse liquido é valioso".

Abastecimento

Paralelo a esse cenário, segundo a professora, existem os moradores que sofrem com problemas pontuais de abastecimento, que, de acordo com ela, são falhas técnicas. É o que acontece com o aposentado Antenor Cavalcante, 73 anos, morador do Quintino Cunha. Desde de 2010, ele convive com a falta de água. Ele explica que o problema na sua casa e em toda a vizinhança é que o recurso não consegue chegar até as caixas de água devido à baixa pressão no local.

Assim, Antenor precisou construir um reservatório no térreo da residência e comprar uma bomba de água. "O meu problema foi solucionado, mas não é todo mundo que tem condições de comprar uma bomba de água e precisa conviver com o problema. Ele ressalta que o vizinho chegou a comprar água mineral para tomar banho. E conta que parte dos moradores devolveram seus imóveis alugados devido à falta de água.

"Como vou pensar em racionalizar água se ela nem chega por aqui? Ouvi falar que, devido à seca, a Cagece só vai liberar água em dias alternados. Acho isso um absurdo. Quase uma brincadeira", diz. A aposentada Maria das Neves Teles, 78, moradora do Conjunto Araturí, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, convive com problema semelhante ao de Antenor, mas há pelo menos 20 anos.

Ela conta que a falta de água acontece em semanas alternadas, e a desculpa da Cagece sempre é a mesma: manutenção. "Quando eles avisam, começo a encher os baldes, e a casa fica cheia de vasilhames. Sei que temos que racionalizar, mas, devido à falta de água, precisamos armazenar", destaca.

Conta

Do outro lado da cidade, no bairro Joaquim Távora, a empresária Alice Albuquerque confessa que, apesar de saber da importância da água, nunca pensou que um dia pudesse ficar sem ela em casa. O problema bateu na sua porta quando a síndica do prédio esqueceu de pagar a conta de água e todos os moradores ficaram sem o recurso.

"Sempre tive consciência do racionamento de água, mais por questões ambientais. Mas, devido à facilidade, o problema da falta d´água parecia ser bem distante. Por isso, nunca imaginei que pudesse ficar sem água durante alguns dias, e isso foi bem assustador", ressalta Alice Albuquerque. Ela conta que tomou um susto quando ligou a torneira para lavar a louça e não caiu nem uma gota de água.

"Lavar pratos e panelas com uma bacia ao lado e usando uma tigela é muito incômodo. Tomar ´banho de cuia´, utilizando um copo ou bule para poder se molhar, era só brincadeira de criança. Nunca fez parte da minha realidade. Mas, o pior para mim, era a descarga do banheiro, que precisava de muita água para fazer descer os resíduos que haviam lá", diz.

Depois dessa situação, Alice afirma que passou a perceber o quanto a água é importante. Agora, quando lava os pratos, desliga a torneira com mais frequência. Ao lavar roupa, tem muito mais cuidado com a quantidade de água que utiliza. "Acho que fiquei bem mais consciente. Agora, me sinto mesmo fazendo a diferença que acreditava fazer antes de viver essa experiência. Não acredito que pessoas conseguem viver sem água. Certamente, as dificuldades são infinitas", acrescenta.

Segurança

Sobre uma possível situação de racionamento de água na capital cearense, a Cagece informa que Fortaleza tem total segurança hídrica em 2013, por ser abastecida por um conjunto de mananciais com reserva de água suficiente. Lembrando que a água de Fortaleza vem do Açude Castanhão, por intermédio do Eixão da Integração, seguindo até o complexo composto pelos Açudes Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião. Somente no Castanhão, há uma disponibilidade de cerca de 3,5 bilhões de metros cúbicos.

Com relação ao imóvel da rua Francisquinha Portela, no bairro Quintino Cunha, o órgão informa que a área sofre com problemas pontuais de baixa pressão. Visando minimizar os danos à população, a Cagece está construindo uma adutora, para trazer água da ETA Gavião, direto para os bairros que fazem parte da Unidade de Negócios Norte, que é o caso do Quintino Cunha. Com a implantação dessas tubulações, a Companhia irá aumentar o transporte de água para bairros como o Quintino Cunha, aumentando, assim, a pressão.

Fonte: Diário do Nordeste

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