Russas. A moradora do Bairro Várzea Alegre, Francisca Fábia Rodrigues, saiu de casa às 5h da manhã desta quarta-feira (27) para o Hospital e Casa de Saúde de Russas, buscando consultar a sua filhinha de três meses de idade. Segundo a mãe, a criança estava febril e apresentava vômitos. Para a surpresa da dona Francisca sua filhinha não pode ser atendida, pois segundo a médica de plantão, não se configurava um caso de urgência ou emergência. A mãe foi orientada pelas enfermeiras a procurar um posto de saúde em seu bairro, mas dona Francisca relata que não havia médico naquela ocasião.
Assim como dona Francisca Rodrigues, dezenas de russanos procuram diariamente o Hospital em busca de consultas médicas, devido à ausência ou a limitação de médicos nos PSF's do município.
A busca por consulta médica tende a ficar mais difícil nas próximas semanas. Alguns postos de saúde ainda não possuem a equipe completa, com médicos e enfermeiros e o hospital esta restringindo o atendimento para consultas, atendendo somente os casos mais relevantes.
Segundo o levantamento feito pelo diretor do Hospital, José Arelone, em 2012 foram realizados 63.326 atendimentos, destes 96% são pacientes residentes no próprio município. Dentre os serviços prestados estão traumatologia, exames de raio-X, suturas, curativos e exames externos. "O hospital atende uma demanda que deveria ser suprida nos Postos de Saúde, mas o serviço ainda é muito deficiente" afirmou Arelone.
O Diretor explica que para manter essa média de atendimentos é necessário um repasse mensal da Prefeitura no valor aproximado de R$ 140 mil, que somando com o repasse do Ministério da Saúde (R$ 50 mil), daria o suficiente para atender toda a demanda. Segundo Arelone, a prefeitura só disponibilizou para repasse R$ 70 mil, que ele considera um valor inviável para que a unidade continue realizando essa quantidade de atendimentos.
"Até o ano passado a Prefeitura repassava R$ 50 mil, mas enviava médicos, enfermeiros e auxiliares, tudo extra e dava certo. Agora só são os R$ 70 mil sem nada a mais", lamenta.
Esse valor de rapasse foi o convênio firmado para o período de três meses (janeiro a março), depois disso o Hospital atenderá exclusivamente casos de Urgência e Emergência. As consultas deverão ser transferidas para o Centro de Saúde.
Arelone frisou ainda que nada do que foi acertado neste convênio foi pago até o momento. "O hospital até o momento não recebeu nenhum centavo, estamos trabalhando com boa vontade apenas para não prejudicar a população que necessita do atendimento" relata.
Até o fechamento dessa matéria a reportagem não localizou a titular da Secretaria de Saúde do município, Ivonete Pereira, para se pronunciar sobre o caso.
Redação TV Russas
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