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Faltam agentes de endemias em Russas

Óticas Diniz

Ellen Freitas

07/11/2012

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Uma criança de três anos foi confirmada com leishmaniose, mais conhecida como calazar. Outro caso também foi confirmado na cidade de Jaguaretama. O número insuficiente de agentes de endemias limita o acompanhamento para controle e combate da doença nos animais, deixando a cidade exposta à transmissão de novos casos.

 

O número insuficiente de agentes impede que o teste rápido para leishmaniose seja realizado no período de vacinação antirrábica FOTO: ELLEN FREITAS

O trabalho de monitoramento da doença nos cães é realizado pelos agentes de endemias, já que o município não possui estrutura de zoonose. O principal trabalho realizado é o exame para sorologia canina nos locais da cidade onde há casos suspeitos ou confirmados da doença.

De acordo com o coordenador de endemias do município, Milton Freitas, estavam programados para este ano duas mil sorologias caninas em áreas consideradas de risco, mas devido à falta de servidores no setor só foram realizadas 1.054.

Exame positivo

Na comunidade de Bento Pereira, considerada área de risco, foi constatado a leishmaniose visceral em uma menina de três anos. No início de outubro, a criança apresentou os sintomas, como febre constante, e foi encaminhada para realização de exames no Hospital São José, em Fortaleza. No fim do referido mês, o diagnóstico foi positivo para a doença na criança.

Após levantamento sorológi-co canino realizado na comunidade, dos 146 cães examinados, 29 tiveram diagnóstico suspeito para doença, um número considerado preocupante para o coordenador, em relação à área, onde moram cerca de 150 famílias.

"É possível que aconteça um surto de infecção nos animais", afirma. Segundo ele a taxa de infecção dos cães atinge o índice de 4.8, ou seja, para cada 100 cachorros examinados, quatro possuem resultado positivo para o calazar.

Não há tratamento gratuito para os cães com calazar. Os casos suspeitos são recolhidos para eutanásia humanitária. Os animais irrestritos, aqueles que vivem nas ruas, são recolhidos através denúncias da população. Se for constatada alguma doença no animal, este é sacrificado. Caso isto não ocorra, o cão é devolvido às ruas pela falta de abrigo na cidade. Segundo o coordenador, o poder público não está preocupado com a saúde dos animais. "Não existe repasse para leishmaniose, só existe repasse para a dengue. Nós trabalhamos dentro da medida do possível", lamenta.

Teste rápido

Desde julho estão sendo disponibilizados kits com o novo teste rápido com diagnóstico de calazar canino, que apresenta o resultado dentro de 15 minutos. De acordo com Milton, seria viável a realização desse exame juntamente com a campanha de vacinação antirrábica, já que a população levaria seus animais até os locais de vacina. Porém não há servidores suficientes para realização do trabalho.

O setor de endemias do município passa por dificuldades. No último dia 31 de outubro foram demitidos 18 dos 55 agentes que cobrem toda a cidade.

A campanha de vacinação antirrábica precisou ter autorização da Secretaria Estadual de Saúde para ser realizada antes da data prevista, que seria no período de 10 a 15 de novembro, porque, devido à redução do número de agentes, poderia comprometer a ação.

O coordenador ainda afirma que não tem sido possível atender todos os bairros da cidade, principalmente a zona rural. O trabalho de prevenção da dengue e a sorologia canina, que estavam previstos para sua completa realização até o fim do ano, estão comprometidos devido à falta de agentes.

De acordo com a assessora técnica da 9ª Coordenadoria Regional de Saúde de Russas, Ivonete Cavalcante, na região, que compreende os municípios de Russas, Palhano, Morada Nova, Jaguaruana e Jaguaretama, foram notificados, durante esse ano, quatro casos de calazar humano, sendo dois confirmados, um em Russas e o outro em Jaguaretama. Os pacientes são encaminhados para o Hospital São José, na Capital, para o início do tratamento. Quando retornam, continuam sendo acompanhados pelo SUS, através do Programa Saúde da Família (PSF).

Polêmica

No caso do cão, o assunto sobre o tratamento é polêmico. Em países desenvolvidos como alguns da Europa, os animais não são sacrificados. A leishmaniose possui tratamento. Algumas pesquisas revelaram que um cão em tratamento não oferece risco ao ambiente.

No Brasil, o governo recomenda a eutanásia por considerar que o tratamento não é eficaz. Alguns veterinários optam pelo tratamento do animal. Porém é preciso dispor de uma boa condição financeira para bancar as consultas, vacinas e demais medicamentos utilizados no cão.

A assessora afirma que o estado só assume um tratamento quando sua eficiência é comprovada em 100%, caso contrário, para o governo, é considerado desperdício investir em uma vacina que não garante a cura da doença no animal.

A leishmaniose visceral é causada por espécies de protozoários do gênero Leishmania. Sua transmissão acontece por meio da picada do mosquito flebotomínios, mais conhecido como mosquito palha. Os cachorros são os principais reservatórios da doença.

Levantamento

29 cães tiveram diagnóstico suspeito para o calazar, de um total de 146 animais, na comunidade de Bento Pereira, em Russas, onde moram 150 famílias

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