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Morre o cantor Luiz Melodia, aos 66 anos

Óticas Diniz

Diário do Nordeste

04/08/2017

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O músico carioca faleceu em decorrência de complicações de um câncer na medula óssea.

O cantor e compositor carioca Luiz Melodia morreu na madrugada desta sexta (4), aos 66 anos, no Rio de Janeiro (RJ). O músico estava internado no hospital Quinta D`or (Zona Norte da capital fluminense) e faleceu em decorrência das complicações de um câncer na medula óssea.

Melodia começou o tratamento em julho de 2016 e precisou ser internado no último mês de março. Em maio, foi submetido ao transplante de medula. 

De acordo com familiares, o artista estava se recuperando progressivamente. Ainda no ano passado, ele sofreu um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

Trajetória

Batizado como Luiz Carlos dos Santos, o músico era filho de Oswaldo Melodia, um sambista do morro do Estácio, um dos berços do samba tradicional carioca. 

Influenciado pela verve musical do pai, Melodia precisou contrariá-lo para seguir carreira na música. Oswaldo queria que o filho estudasse e virasse "doutor". 

No morro do Estácio, conheceu artistas como os poetas Waly Salomão (1943-2003) e Torquato Neto (1944-1972). Na voz de Gal Costa, imortalizou "Pérola Negra", uma de suas composições mais conhecidas. A música foi lançada pela intérprete no disco "Fatal - Gal a Todo Vapor" (1971). 

Em 1973, com o sucesso da canção, lançou o disco "Pérola Negra". Na sequência, Luiz Melodia seguiu lançando álbuns, como "Maravilhas Contemporâneas" (1976) e "Mico de Circo" (1978).

Luiz Melodia era um tropicalista dos morros

"Como assim, o rapaz é negro, desce do morro do Estácio e não é sambista?". Um jornalista do qual Luiz Melodia não citava o nome o recebeu assim em 1973, quando ouviu o que ele poderia fazer ao lançar o álbum "Pérola Negra", sua estreia, pela Philips. Eram anos de liberdade criativa mesmo nas gravadoras, de produção livre e "orgânica", de colocar para fora tudo o que bossistas, jovem guardistas e tropicalistas haviam deixado de legado na década anterior. Melodia surge como o filho mais bem acabado do espírito tropicalista do "tudo é possível".

Não por acaso, se aproximou de mentes livres como Waly Salomão, Torquato Neto e Helio Oiticica. Gravou rock, samba, samba rock e todo o universo que existe entre os dois. O preconceito despejado na infeliz frase do jornalista carioca era sinal do embaralhamento que aquela imagem cheia de atitude poderia causar. Não havia como classificar Melodia. E "Pérola Negra", um dos grandes álbuns da música brasileira percebido assim logo de cara, não deixava dúvidas de que Melodia era um nome incontornável. Era preciso falar sobre ele.

O músico explicava aos jornalistas que se debruçavam para saber de onde vinham tantas informações na música de um homem que parecia predestinado ao samba. "Eu ouvia tudo isso no rádio e talvez tenha sido isso o motivo dos discos que até hoje gravo, sempre com variedade, desde o rock, o pop. Eu sempre tive essa malícia pra poder passar para os discos que eu componho." Jazz e blues, idiomas que aprendeu, já eram presentes em criações iniciais como a própria "Pérola Negra" e em "Magrelinha" (basta ouvir as frases de guitarra blues de Perinho Albuquerque). "Uma vez vi minha mulher conversando com meu filho: 'Você já ouviu seu pai cantando blues? É genial.'"

Ele mesmo se surpreendeu até identificar o quanto blues eram suas abordagens. Mas o mesmo disco tinha também "Forró de Janeiro", com acordeão de Dominguinhos. O tropicalismo, definitivamente, havia subido o morro. De fala curta e objetiva, olhar cortante para entender a pergunta antes de respondê-la, Melodia gostava de exercer o controle da situação e o distanciamento profissional diante de jornalistas. "Não faço ideia do que você está falando", respondeu a um deles quando perguntado se a imagem de 'maldito' por parte da mídia não o havia prejudicado.

Respondia que sempre fez os discos que gostaria de ter feito, sem jamais deixar sair de si o "Estácio" que o havia ensinado tanto. Falava por si e olhava para os lados, sem medo de esfriar a festa quando preciso. Em 2014, em pleno palco Julio Prestes, na Virada Cultural, foi o único a lembrar que estavam todos ali em um território marcado pela calamidade humana. "Vamos olhar por esse pessoal que está nessa dependência dessa droga filha da p.. Qualquer ajuda é importante." Disse isso e cantou Magrelinha aos agoniados do crack. 

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