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Aborto de repetição pode ocasionar riscos

Óticas Diniz

Diário do Nordeste

04/08/2017

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Cerca de 60% dos casos de aborto são decorrentes de alterações genéticas no embrião ( Foto: Divulgação )
Cerca de 60% dos casos de aborto são decorrentes de alterações genéticas no embrião ( Foto: Divulgação )

Quadro é definido quando a mulher sofre três ou mais perdas com menos de 20 semanas de gestação.

Pesquisas indicam que de 15% a 20% das gestações não evoluem, ou seja, terminam em abortos nos primeiros três meses de gravidez.  A interrupção da gravidez pode ser tratada com um fato natural para alguns casais, mas existem parceiros que enfretam um quadro rotineiro, gerando o aborto de repetição. 

O quadro de aborto espontâneo é caracterizado quando a perda gestacional ocorre de forma espontânea. O período do caso varia entre a 20ª e 22ª semana de gravidez ou quando ocorre a perda de um feto com peso menor do que 500 gramas.

Dentre os casais em idade fértil, 2% a 5% sofrem abortos de repetição. "O quadro é caracterizado pelos casos em que ocorreram três abortos consecutivos ou, para alguns pesquisadores, quando houve duas ou mais perdas gestacionais logo no início da gravidez, antes da 22ª semana”, comenta Renato de Oliveira, ginecologista da Criogênesis.

O especialista ainda ressalta que os abortos ocorrem devido a seis fatores básicos, atuando isolados ou em conjunto.  

Genéticas

A maior parte dos abortos, cerca de 60%, é decorrente de alterações genéticas no embrião, pois eles devem possuir 46 cromossomos que permitem seu desenvolvimento normal. 

Muitas gestações acabam em abortamento, pois os embriões tem variação da quantidade de cromossomos. Além disso, o impacto da idade materna é grande. Dos 35 aos 39 anos, a probabilidade de se ter um aborto é cerca de 25%. Já dos 40 aos 44 anos, é superior a 50%.

Vasculares (trombofilias) 

Doenças do sangue são causas comuns de aborto, pois podem originar trombose de vasos placentários e impedir a correta chegada dos nutrientes maternos ao feto, o que comprometeria o seu desenvolvimento.

Endócrinas e infecciosas 

Diabetes mellitus e distúrbios da tireoide (hipo e hipertireoidismo), quando não tratados, podem ser causadores do quadro. Algumas infecções, na fase inicial da gravidez, também podem levar à ocorrência de aborto. Por isso, é muito importante realizar avaliação médica ginecológica de rotina. 

Anatômicas 

Algumas alterações da anatomia do útero (adquiridas ou congênitas), podem ser causas de abortamento. Quanto aos miomas, eles podem interferir e causar aborto principalmente se forem maiores que 4 cm ou se comprometerem a cavidade endometrial.

Imunológicas

Refere-se à reação imunológica contra algo que o organismo não reconhece. O feto na gravidez normal é protegido pelo organismo feminino, em algumas mulheres seu sistema imunológico não reconhece a gravidez e passa a se defender do feto por considerá-lo um corpo estranho, devendo ser eliminado.

Hábitos e estilo de vida 

Tabagismo, consumo excessivo de álcool e o uso de drogas aumentam o risco de abortamento. Mulheres acima do peso ideal também tem maiores chances de abortarem e terem complicações durante a gestação.

O especialista alerta que mesmo após 3 abortos consecutivos, a mulher ainda tem 70% de chance de ter uma gestação tranquila. "Além dos problemas físicos enfrentados pela mulher, é difícil ter a aceitação psicológica. Assim, antes de fazer novas tentativas, é preciso buscar ajuda especializada e identificar as causas”, finaliza Renato.

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