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COLUNISTAS / CARLOS EUGÊNIO

A reforma da previdência penaliza gerações

Óticas Diniz

Carlos Eugênio

08/03/2017

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A reflexão é pertinente: para pôr mais água da bacia, é necessário afogar a criança? Por analogia, é isso que estão fazendo com a reforma previdenciária. Precisa-se mudar as regras para garantir maior fluxo de recursos. Isso é fato. Toda pessoa ideologicamente honesta, não vai negar essa verdade. 

Outro fato: a reforma da previdência deveria ter sido feita em tempos econômicos mais favoráveis. Teria causado menor prejuízo a classe trabalhadora. Já que não a fizeram, que façam. Mas o governo não pode pôr todas as profissões na mesma cumbuca, e impor regras previdenciárias que não consideram peculiaridades reconhecidas historicamente.   

Assim como os militares permanecerão com um regime de aposentadoria diferenciada, entendo que essa prerrogativa deveria ser preservada aos professores, por exemplo. “Ah Carlos, isso é corporativismo! ” Não. Defendo essa tese porque conheço a realidade das salas de aula. Um professor para se aposentar com o salário integral, não pode passar 49 anos em atividade.  

Na hipótese de um jovem concluir a licenciatura com 22 anos, que já é uma idade bem precoce, e leve mais um ano para ser aprovado num concurso público: se esse professor quiser se aposentar com o salário integral, terá de lecionar até os 72 anos de idade. Imaginem aí: uma pessoa com mais de 70 anos, lecionando no ensino fundamental, com as adversidades que a profissão impõe. 

Vejam o caso da professora, de Brasília, Avelina Neves. A reportagem foi publicada em 2015, pela Empresa Brasil de Comunicações (EBC): lecionando no Centro de Ensino Fundamental da 316 Norte, Avelina deu entrada no pedido de aposentadoria com 49 anos e 30 de profissão. O magistério lhe causou problemas gástricos, nas articulações, entre outros. “A gente se aposenta e não serve mais para nada. Quando você gosta, cria muitos sonhos, não pensa na dificuldade, só pensa no produto do seu trabalho. Quando acaba, está com a coluna ruim, braços, tanta coisa, problemas psiquiátricos” – afirmou Avelina.

Pesquisas mostram que esse caso não é isolado.
A mesma tese serve para os trabalhadores rurais. Até aceito que contribuam com a previdência, desde que seja um valor condizente com sua realidade financeira. Mas não se pode determinar que se aposentem com 49 anos de contribuição. Para certas profissões, o tempo de aposentadoria deveria ficar em torno de 35 anos de contribuição. 

A reforma previdenciária proposta pelo governo, condena gerações:  a que pagará uma dívida que não é dela, e as futuras, que não terão o gosto de se aposentar. 

Carlos Eugênio

Nasceu em Russas - CE. Graduado em Português Licenciatura Plena pela Universidade Vale do Acaraú; (UVA), Especialista em Ensino da Matemática e Física pela Faculdade Vale do Salgado (FVS). Professor, colunista do Jornal Correio de Russas e da TV Russas.

Carlos Eugênio

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