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COLUNISTAS / CARLOS EUGÊNIO

A dança das cadeiras

Óticas Diniz

Carlos Eugênio

20/10/2014

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As justificativas, muitas vezes, não condizem com a realidade dos fatos. Mas, que significado tem o vocábulo verdade quando se trata de política partidária no Brasil? Percebe-se que o sistema político brasileiro anda longe de seguir uma ideologia pautada em princípios morais e éticos. Os partidos, que em sua concepção deveriam agrupar pessoas adeptas do mesmo pensamento ideológico, se fragilizam com certas atitudes de seus representantes do mais alto escalão. É a política do toma lá, dá cá, predominando em nome das pretensões em benefício próprio.
     Etimologicamente, o termo partido, por extensão de sentido, significa parte da sociedade representada por um grupo. Em linhas gerais, o partido político é formado por pessoas legalmente organizadas, com bases voluntárias de participação em um sistema democrático. No entanto, apenas para não fugir à regra, no Brasil, ao se tratar de trabalhos direcionados a comunidade, predomina a inversão de valores e a certeza da inoperância. Portanto, esse conceito, de formalidades éticas, distancia-se das práticas que norteiam o sistema político do nosso país.
     As acomodações partidárias iniciam-se bem antes do pleito eleitoral e se ajustam até os últimos instantes da eleição. Que os digam às “autoridades” que ficam pulando de galo em galo, ao dissabor dos resultados das pesquisas de intenções de voto. Todavia, fazem parte de um Estado democrático de direito, os ajustes ideológicos por afinidades de pensamentos e lutas sociais, se por ventura, fosse esse o caso.
     No entanto, os princípios fundamentais que guiam as chamadas “acomodações”, andam distantes dos anseios sociais ou concepções filosóficas. No jogo político, a música que rege a dança das cadeiras, vai de encontro à manutenção do poder a qualquer custo. O bem social fica a margem desse processo.
     Faz-se necessário, portanto, uma reforma política que venha moralizar essa situação. Mas, será que é do interesse dos detentores de mandatos, mudarem as regras desse jogo? Evidentemente que não! Da forma como se encontra, atende muito bem as suas sórdidas pretensões. Não há motivo para mexer nesse vespeiro. Não existe fidelidade partidária no Brasil. Troca-se de partido como quem muda de roupa. E fica tudo por isso mesmo. Faz parte da  norma de conveniência, já que a sociedade acolhe como processo natural. 
     Em meio ao joguete de interesses, o setor privado entra em campo, investindo fortemente nas campanhas de determinados candidatos, com o nítido intuito de formar representatividade. Não se pode esquecer também a prática do Caixa 2, onde os partidos depositam o dinheiro não contabilizado e, muito menos, declarado aos órgãos de federalização responsáveis. Recursos estes, fruto da corrupção. Os desvios da Petrobras é uma exemplificação mais recente desse sórdido processo que, segundo denúncias, financiou campanhas de partidos aliados ao governo federal.
     Onde ficam os anseios da população nesse asqueroso sistema político? Relegado ao esquecimento. Falta amadurecimento político a sociedade brasileira, para provocar as mudanças que esse país merece. Enquanto o povo fica acorrentado ao medo de perder direitos garantidos e benefícios que chegaram com a prerrogativa de diminuir as desigualdades sociais, mas que, na verdade, passou a funcionar como barganha para angariar votos, muitos partidos políticos funcionam como verdadeiros prostíbulos. Triste realidade que campeia os bastidores da política brasileira.


Carlos Eugênio

Nasceu em Russas - CE. Graduado em Português Licenciatura Plena pela Universidade Vale do Acaraú; (UVA), Especialista em Ensino da Matemática e Física pela Faculdade Vale do Salgado (FVS). Professor, colunista do Jornal Correio de Russas e da TV Russas.

Carlos Eugênio

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