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COLUNISTAS / HILDEBERTO AQUINO

Saúde - Mitos, verdades e abusos

Óticas Diniz

Hildeberto Aquino

24/05/2013

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Maioria das vezes, por uma simples dorzinha no peito (não importa de que lado), ou em casos de uma necessidade real, extrema, julgamos que é a hora de recorrer a um serviço médico, e ai começa nosso martírio.
Tentamos uma consulta particular, cara - quase impossível para a maioria da população - até que conseguimos enfim uma vaga, mas somente para daqui a uma semana, 30 dias ou mais, já que a agenda está lotada. Planos de saúde nem pensar já que praticam preços exorbitantes e ainda assim negam uma série de assistências contratadas – somos lesados, roubados. Dadas às circunstâncias sujeitamo-nos ao SUS e a médicos que nos disponibilizam - se existirem. Depois de horas, dias meses até, chega o dia da consulta. Se fosse doença mais séria já teríamos partido. Apalpa daqui, apalpa dali, às vezes sem olhar nos olhos, apressados, quase mudos e, para diagnosticar com precisão mais aproximada, exigem uma bateria de exames. Colesterol, triglicérides, glicose e uma infinidade a mais de itens. Submetemo-nos e vez por outra pairam dúvidas diante das disparidades nos resultados entre laboratórios, ou no mesmo laboratório, estando o paciente nas mesmas condições na hora das coletas. Por vezes somos obrigados a repetir, pagando, os mesmos exames para dirimir dúvidas e desencargo de consciência, só nosso. Tudo pronto retornamos à consulta e, apresentados os exames, saímos satisfeitos, revitalizados, com alma nova, pois tudo deu normal, ou então saímos abatidos em caso contrário e ainda munidos de estritas recomendações médicas: “Ovo não pode, é puro colesterol; esqueça chocolate e gordura animal - manteiga, nem pensar, prefira margarina; despreze o leite de vaca e beba leite de soja etc.” Eis que, graciosamente, e em um programa de TV de grande audiência nacional uma nutricionista simplesmente contraria tudo aquilo que nossos médicos recomendam e que é, por tradição, convencionado (falamos convencionado, já que sistematicamente esses conceitos são alterados) enquanto afirma categoricamente: “Coma ovo à vontade que é o segundo melhor alimento e colesterol não faz mal, pelo contrário; despreze a margarina porque ela é composta de gordura hidrogenada e, portanto, mais letal que a manteiga e os casos de câncer se alastram vertiginosamente; coma chocolate evitando o branco – ao leite; use banha de porco (origem animal) ou óleo de coco à vontade, são mais salutares do qualquer óleo de soja, canola etc. Leite de soja, nem pensar; é puro estrogênio (hormônio feminino) e às meninas estimula a puberdade precoce e aos meninos afemina.” E nesse mar de incongruências ficamos, nós pacientes, desassistidos, enganados, aturdidos sem saber em quem confiar. (Sugerimos assistir ao vídeo no link: http://entretenimento.r7.com/programa-do-gugu/videos/nutricionista-conta-quais-sao-os-maiores-mitos-sobre-alimentos/idmedia/519935b40cf2f54e325dde0e-1.html
A nossa consulta já pagamos, antecipado, via imposto que nos é confiscado sorrateira e abusivamente, ou em espécie que à vista desembolsamos; a bateria de exames também. Remédios a custos elevadíssimos e com uma série de contraindicações que ainda assim por terem sido prescritos compramos; compramos em caixas já que as farmácias não cumprem a lei que determina a venda avulsa por unidade e de acordo com a receita prescrita, e compramos porque nos postos de saúde estão em falta – o que já é rotineiro. Não precisa falar que em caso de internação somos descapitalizados, pois se for em hospital particular temos que vender casa, moto e alguns cacarecos para cobrir as despesas. Internação pelo SUS, só em casos extremos e depois de alguns meses, anos de espera e quando enfim encontramos hospitais com vagas, mas que sucateados já que a Saúde foi municipalizada e os senhores prefeitos alegam não ter verbas ou se as tem não destinam adequadamente e sem explicações. Atentemos ainda que são formados, em especial em Universidades Públicas, federais e estaduais, todos os anos, a um custo elevadíssimo e pela sociedade custeados via impostos, milhares de médicos, mas esses não têm qualquer obrigação legal ou moral de, pelo menos, estagiar por determinados períodos nos interiores do País, mesmo porque os prefeitos pagam, quando pagam, salários não compatíveis com os do mercado e assim os profissionais se sentem desestimulados, aviltados e optam, (80%),  pelos grandes centros. E aí temos que importar médicos que nem nosso idioma falam e, mais grave, destinados a trabalhar exclusivamente nas periferias das cidades ou nos interiores do País. Justamente por cá onde o povo é mais carente e merece igual e digna assistência. Mas o Ministro da Saúde e algumas autoridades governamentais inconsequentes não pensam dessa forma e discriminam abertamente; aos pobres só o que restar! Somos considerados apenas em épocas de eleições e novamente caímos nas armadilhas e engodos (bolsas, promessas mirabolantes e nunca cumpridas etc.) desses inescrupulosos.
Diante de tantos abusos deduzam quem afinal sai descrente, fragilizado, aviltado, arrasado, indignado pior do que quando precisou de assistência; assistência que se lhes assegura a Constituição, mas que aqueles que ocupam, provisoriamente (ainda bem!), o poder, julgam-se acima da lei, não a respeitam, rasgam-na todos os dias e saem impunes. Desse contexto absurdo e desumano não vemos uma só ação oportuna e contundente das autoridades da área judicial que poderiam acorrer, ser o esteio de uma sociedade sempre desvalida e abusada. Certamente estão ocupados com entraves burocráticos que se lhes toma tempo integral e assim possibilitam, e justificam, o reconhecimento de que a lerdeza e ineficácia imperam nessa área, o que é deplorável.
E assim anda o nosso complexo e falido sistema de Saúde aqui, nas cidades vizinhas e em todo o Brasil - país tido como a sexta potência econômica mundial, porém, de há muito mal administrado, eterna vítima do desleixo crônico dos políticos que só visam “próximas eleições” para se perpetuar no poder que, embora efêmero, tentam perpetua-lo a qualquer custo. A sociedade por sua vez de tanto padecer dessa incúria se acomodou, acovardou-se e calou sem esboçar a mínima reação. Então... salve-se quem puder!
Até quando? Até quando? Até quando?

Hildeberto Aquino

Nascido em Crato (CE). Formação: Língua Portuguesa e pós-graduado em Gestão Escolar. Ex-funcionário do Banco do Brasil, 1972/1997, assumiu em Russas em 1982. Corretor de Imóveis. Articulista (crônicas e poesias). Meu lema: "Indigne-se por você e por todos contra as injustiças, quais forem. Clame, exija, exerça a sua cidadania e não seja mais um abmudo!" José HILDEBERTO Jamacaru de AQUINO

Hildeberto Aquino

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