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COLUNISTAS / AIRTON MARANHÃO (IN MEMORIAN)

Manuscrito do enigmático Juarez

Óticas Diniz

Airton Maranhão (in memorian)

23/05/2013

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Tenho sempre dito que em Russas existe indivíduo de poderes misteriosos, que cria enigmas como se representasse a imensidade do universo de suas formas, que poderia muito bem, passar despercebido na vida pacata e contemplativa, sem desvendar o íntimo confessional, se não fosse observado por este articulista, para descrevê-lo sem dificuldade de expressão, com a estranheza de seres esquisitos, criados pelo realismo fantástico dos comentários do cotidiano. Com a consciência racional de personagem que se ostenta no absolutíssimo egocêntrico e conceitual, a se definir nas pequenas minúcias de linguagem e hipocrisia de seus desafetos. Que busca e descreve alguns russanos como crítico de arte e precisão sensível de escultor, que define os traços e a personalidade com riqueza de detalhes dos seres humanos, com que conduz os seus pensamentos definidos. Ao ditar, no seu universo criativo, a pessoa detalhada e escolhida, sem erro e sem falha, bem precisa com a clareza de retrato de ódio, desprezo e inquietude de quem tentou humilhá-lo e mudar seu comportamento ordeiro, honesto e singular de rapaz sensível, mas de inteligência superior que não se conseguiu definir sem um teste de avaliação de quociente intelectual. Nem mesmo para saber visualmente o significado de ser encantado de visão inquestionável, de isolamento imaginário ou encantatório, no esquecimento próprio da representação da vida interior que se encarcera de impressionismo e de ilusões existenciais. Sem o questionamento por sua inaptidão social, por seu refúgio protagonista de marcas pessoais, e por sua singularidade aleatória a que representa a fera solta. Moldada ao próprio juízo da ironia, do conflito e do sarcasmo, sem nenhuma importância com o passar do tempo. Com a ilusão insignificante do mundo real, do monstro do Loch Ness, do abominável Homem da Neves, da figura tirana do Draculae, da metamorfose do Lobisomem, do canto triste da mãe-da-lua, dos esturros do pai-da-mata, do bisaco do papafigo, da burra-de-padre e das marmotas do outro mundo. Privilégio de poucas pessoas, trágicas, tristes e solitárias. Longe de ter sido pirralho pecaminoso, briguento e estapafúrdio, criado armando fojos, tecendo arapucas, matando passarinho, mastigando canapum no riacho Araibu. Como sempre, foi diferente sem cantar bendito de novena, ajudar missa, varrer igreja e caçar botija. Não foi menino mofino, pidão e arredio, nascido aos desembestos dos pais, acordado aos beliscões, puxões de orelhas e cocorotes, para ir para escola ou para acompanhar a procissão de Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Russas, desde 1683. Que foi retirada do Altar Mor, no dia 6 de janeiro de 1913, por ordem do aracatiense Pe. Zacarias da Silva Ramalho, e substituída pela Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, sem ser a verdadeira padroeira de Russas, que neste ano de 2013, completou um século que os russanos rezam para a padroeira errada. E a Igreja Católica nunca se manifestou em nada. Nunca trouxe de volta a imagem da Nossa Senhora do Rosário. Sem imaginar que muitos loucos, fanáticos e incrédulos, estão se mobilizando para no dia 6 de janeiro de 2014, data comemorativa de 101 anos da troca das imagens, tocar fogo na Igreja Matriz e exterminar para sempre o precioso templo religioso mais antigo do nosso Estado. Não estou aqui para apagar fogaréu, mas para rebatizar e percorrer o longo caminho da mais inexplicável, espetacular e favorita criatura russana, ilustrativa dessa narrativa que se chama Juarez Santiago, que guarda a sete chaves o seu escrito, longe do lendário e do fogo da fundição, como a temer em vários enigmas, que nunca venha ser desvendado como um imenso quebra-cabeça dos mais misteriosos códigos secretos, de difícil tradução de caracteres e símbolos. Porque não adianta forjar falsificação que em nada representa uma farsa, uma invenção ou um mito. E desconhecido tal documento para ser traduzido e decifrado em transcrições exatas de seus caracteres, por não ser de fácil alfabético e rabisco, por ocultar e esconder em forma de diário, a vida detalhada, esmiuçada e vigiada de certos russanos, cifrada em códigos de mistérios, numa escrita de linguagem desconhecida, difícil de desvendar. Nem com uma radiação cósmica, com a explosão de uma supranova na Via Láctea, com a mutação genética dos dinossauros ou com a visão planetária dos discos voadores. O manuscrito do enigmático Juarez guarda seu lugar na arca de Noé, na escuridão dos homens das cavernas, nas alturas da Torre de Babel e no fenômeno cataclísmico dos fins dos tempos. E para abrir a maçaneta dessa porta, somente depois de sua decodificação, para que o resto do mundo possa conhecer as detalhadas descrições da sociedade do povo russano, que não sabia que estava sendo analisada secretamente, com todos os detalhes, defeitos e segredos. Juarez é um mistério, um código vivo, um observador em desafio codificado. E pelo que sabemos do seu assustador escrito secreto, codificado de enigmas com cifras estranhas, indecifráveis e desconhecidas, propositadamente criado pela inteligência de gênio superior a subespécie humana, ou pela sensatez de louco, menos indiferente aos répteis em extinção, que transcreve os mais fascinantes códigos da sociedade secreta russana, na mais pura realidade, propositadamente, para nunca ser, ou somente ser desvendado, por poucos cegos existentes neste planeta. Espero que depois da revelação real do manuscrito do Juarez, o mesmo não seja destruído como as flores que salvaram a vida na terra. E ouvindo a Nona Sinfonia de Beethoven se torne através da lenda e da superstição o enigma eterno para os seres semi-humanos e semi-animais que escoiceiam o apocalipse do fim do mundo, como a besta-fera e as nossas Éguas Ruças. 

Airton Maranhão (in memorian)

.Originário de Russas – CE. Formado em Direito pela Universidade de Fortaleza – Unifor, advogado militante da Comarca de Fortaleza, e romancista. Livros publicados: Deusurubu, Admirável Povo de São Bernardo das Éguas Ruças. Romances: A Dança da Caipora, Os Mortos Não Querem Volta e O Hóspede das Eras. Membro da ARCA – Academia Russana de Cultura e Arte.

Airton Maranhão (in memorian)

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