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COLUNISTAS / AIRTON MARANHÃO (IN MEMORIAN)

Fátima Ferreira 1ª Paraquedista de Russas

Óticas Diniz

Airton Maranhão (in memorian)

16/02/2013

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Às vezes penso que a vida das pessoas seria apenas uma lenda se não existisse o sonho. E para esse sonho se tornar real, distante da ficção, ele tem que esculpir a noite para tecer o sol e acompanhar o nascer desse sol, enquanto pulsar o coração. Porque o sonho não é somente uma fonte de inspiração e de desejo, mas a realização maior de toda natureza humana. Como no caso dessa jovem, inteligente, sonhadora, de personalidade forte e de invejável saúde, quando escolheu a sua prática de esporte, quando ainda estudava no Ginásio Coração Imaculado de Maria, com a Direção da irmã Maria da Graça, compositora da letra do Hino de Russas. Reconhecida por ser uma excelente atleta, praticante de várias modalidades esportivas, destacando-se na ginástica de solo, tênis de mesa e hand boll, e principalmente no atletismo: na corrida de 100m, corrida com bastão, salto em altura e salto de extensão. Foi convidada para participar das Olimpíadas do Vale Jaguaribe, sob a coordenação da professora de educação física e de inglês, Dona Lurdes. E ainda, para participar em eventos sociais nos desfiles de Jovens, como Garota do Batalhão de Russas, na Associação Atlética e Cultural de Russas, e como Representante Cultural da Feira dos Municípios, na TV Verdes Mares. Partiu para morar, estudar e trabalhar na capital. Sem medo do movimento dos astros, da aparição de disco voador, encantada com os mistérios da natureza e do espaço, em particular com o desígnio do vôo dos pássaros. Essa russana da terra da bailarina Pacarrete, da espetacular Luzirene do Cavaquinho, da milagrosa mendiga Maria das Quengas, de inteligência incomum e sonho perseguidor, é a extraordinária Fátima Maria Ferreira, formada em Ciências Contábeis e Direito, pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR, filha de Manoel Vicente Ferreira, “Senhor Cobra” e de Ana Rodrigues Ferreira, Dona Nanú, comerciantes, proprietários da Casa N. Sra. de Fátima, antigo comércio localizado na travessa 15 de Novembro, em Russas. Que não tão distante das profundezes do universo, tinha o sonho de um dia conseguir uma oportunidade de ser paraquedista, para voar no céu do Ceará. Sonho motivado por uma atleta que praticava paraquedismo no Aeroclube de Fortaleza, nos anos de 1976/1979. Que também era funcionária da Teleceará. E pela exposição do material: capacete, macacão, óculos, tênis e fotos que despertavam seu ingresso no esporte. Mas o elevado custo e a aquisição dos equipamentos de salto livre, impedia ganhar os céus. E ficava a olhar o azul imenso do infinito, com os olhos cheios de lágrimas, como a imaginar o sonho impossível de Dédalo e Ícaro em busca de alçar vôo com asas de penas de pássaro, ligadas por cera. Diante de sua persistência, o sonho virou realidade. Fátima passou no Concurso do Banco do Nordeste do Brasil S/A, e numa manhã de chuva, de 8 de março de 1980, no curso de treinamento da 2ª Turma de Paraquedismo do BNB, fez o seu primeiro salto, no Aeroclube de Fortaleza, no avião C-170 PT BLL, pilotado por Milson e M.S. Istrutores Mário Áureo e Lima, com equipamento T-10, a 2.500 pés. E ao pousar no solo alencarino, disse, sorrindo: “o sentimento foi de liberdade, de poder voar e sentir a fragilidade da vida e usufruir tudo na medida certa.” O vôo contou com uma turma de 4 mulheres de muita raça e coragem: Maria do Carmo Pitombeira Andrade(Kaka), Laura, Fátima Camargo e Fátima Maria Ferreira. Oficializandas paraquedistas, pertencentes à Confederação Brasileira de Paraquedismo, após o 5º salto, saindo da qualidade de alunas em instrução, para salto livres, com paraquedas sob o próprio comando. E aquisição de 4 paraquedas PAPILLON para salto livre, para o uso das atletas do banco, foram adquiridos através do patrocínio do então presidente do BNB, Camilo Calazans. E ao realizar o sonho maior de desportista, em 29 de março de 1980, no seu 10º salto, e o 1º em salto livre com paraquedas PAPILLON, a 2800 pés, no Aeroclube, teve a honra de ser considerada a 2ª paraquedista a saltar livre, no céu do cearense Euclides Pinto Martins, que pilotou o primeiro avião a cruzar o céu do Brasil, vindo dos EUA. Sendo a 1ª, Maria do Carmo Pitombeira (Kaka). Mas Fátima Maria Ferreira foi a 1ª mulher de Russas, a saltar livre no céu do Estado do Ceará. Esse evento enalteceu a paraquedista russana, com reportagem e entrevistas para o Programa Fantástico, através da repórter Ângela Marinho, da TV Verdes Mares. Fátima saltou ainda de Helicóptero e participou do XIII Torneio N/NE, realizado em Fortaleza, em 1980. E teve a oportunidade de estar sob o comando do presidente da Confederação Brasileira de Paraquedismo, e piloto de folgas do Cel. Adelson Leite Julião, e com presença marcante dos maiores paraqueditas que o Ceará já conheceu: Echebara, Aldeni e Jet Ring (in memorian). No 21º salto, Fátima Ferreira sofreu um acidente e quebrou a perna direita, ficando impossibilitada por 90 dias de exercer as atividades bancárias. No dia 08 de março de 1987, convidada para ir ao Aeroclube, para fazer um vôo panorâmico pela cidade, no avião PT BLL, recusou o convide da amiga Kaka, porque sua filha ainda era bebê e sua irmã Lúcia estava de férias em sua casa, com o pequeno Rafael. Kaka insistiu. Mas Fátima evitou aquele vôo. Mesmo sem entender que a felicidade é uma escolha. E uma tragédia aconteceu na Praia do Futuro. O avião PT BLL partiu-se ao meio, deixando mortos o piloto Milson, Maria do Carmo Pitombeira Andrade (Kaka), e mais duas pessoas que se encontravam no Aeroclube de Fortaleza, e seguiram para o vôo final de suas vidas. Por coincidência no Dia Internacional da Mulher.     

 


Airton Maranhão                                                             

Advogado Escritor                                                                               

Membro da Academia Russana de Cultura e Arte – ARCA

Airton Maranhão (in memorian)

.Originário de Russas – CE. Formado em Direito pela Universidade de Fortaleza – Unifor, advogado militante da Comarca de Fortaleza, e romancista. Livros publicados: Deusurubu, Admirável Povo de São Bernardo das Éguas Ruças. Romances: A Dança da Caipora, Os Mortos Não Querem Volta e O Hóspede das Eras. Membro da ARCA – Academia Russana de Cultura e Arte.

Airton Maranhão (in memorian)

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