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COLUNISTAS / AIRTON MARANHÃO (IN MEMORIAN)

O Cenógrafo Marcondes Costa

Óticas Diniz

Airton Maranhão (in memorian)

25/01/2013

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      Existe ser humano com inspiração impulsiva em obter glória para elevar a moral dos compatriotas, que consagra a preservação histórica da terra natal e se faz digno de receber na leitura do seu nome, na entrada solene do mundo nobre de sua existência, a designação de que devemos guardar na memória como monumento de reminiscência. A exemplo da exuberante atividade profissional do mais moderno, criativo e autêntico russano, que construiu imagens de sonhos impossíveis e transformou a fantasia em realidade panorâmica, com o dom artístico das artes de cenógrafo, e com cenários de viagens fantásticas, por todas as partes do planeta, pela mágica apresentação dos filmes, nas sessões do cinema, Cine 5 de Junho, que desenvolveu em nosso município. Diálogo visível para o olhar de espanto e incompreensão para com a transparência cinematográfica. Que como triunfo, rendeu-lhe homenagens, principalmente pelo destaque de como profissional do trabalho em movimento, com o diversificado de lugares diferentes e pitorescos, de surpresas imensas, para as pessoas simples, humanísticas e pacatas de Russas. Sem nenhuma conotação de ser imaginário, mas real, temos nesse perfil, o inigualável russano Marcondes Costa. O mais significante comunicador cultural de todos os tempos que nasceu em Russas. E que desenvolveu conceitos técnicos e planejamentos administrativos na produção de eventos noturnos, a plantar a raiz histórica do entretenimento diverso, para a comunidade de nosso município. Aliado ao trabalho artesanal, à cultura e à arte cinematográfica, para seduzir o nosso povo a participar dos eventos culturais, ligado à adolescência que sonhava com a inovação abismal do cinema, aos incrédulos de qualificação intelectual, que de tudo duvidava, por mistério e curiosidade sem a projeção de filmes, e às senhoritas que geravam insegurança e sobressalto na escuta das novelas radiofônicas. Para ilustrar que marcou época com a mistura das raças, compostas pelo credo, crença e costume. Que registrou o passado do tempo do lápis, da tabuada, da cartilha e da palmatória. Que influenciou o jovem a ler “revista em quadrinhos” e modificou a sociedade arcaica, acostumada com o marasmo da vida interiorana. Como comerciante, com lojas de vender máquinas e móveis, em Russas e Fortaleza. Como industrial, com fábrica de fazer cadeiras em nossa terra natal, com vendagem para todo país. Com talento artístico de cenógrafo na exibição de filmes, que a diversão do cinema do Marcondes, era mais vibrante que os leilões das quermesses do Pe. Valério. E Quando chegava à hora de anunciar o filme, antecedido pela música Bésame Mucho, era um suspense! Russas inteira parava para ouvir a bela voz do Marcondes, que transmitia pelo megafone do cinema, o único instrumento de comunicação e transmissão no momento, que levava alegria e admiração a todos os seus ouvintes e fãs. Era de arrepiar! O que mais consagrou o admirável cenógrafo foi o seu empenho com o timbre da voz marcante e a canção Besame Mucho, de Ray Connif, que botava para iniciar as sessões do Cine 5 de Junho. Celebração de memória que resiste ao tempo, com o cenário incrível dos filmes, das produções de privilégios e da técnica, rara e única de comunicador cultural, anunciadas pela voz indescritível do emblemático e inteligente Marcondes. Com toda a sua história de cenógrafo, assediado pelos fãs, pelos curiosos e pelas estrelas do seu sucesso, nos faz recordar os tempos das cadeiras nas calçadas, do encontro com os amigos na praça Monsenhor João Luiz, a espera do toque da canção Besame Mucho, para começar o filme de Caubói, de Tarzan ou do Zorro. Ninguém esquece o cerimonial dos namorados que se beijavam no escurinho do cinema. A ronda do Machadinho, lanterninha do cinema, que alumiava o chão, para manter o silêncio e o respeito, na hora da exibição cinematográfica. Naquele prédio onde funcionava o Cine 5 de Junho, além de exibir cartazes dos filmes, na calçada do cinema, que fazia exibição de até 02 filmes na mesma noite, também se fazia variados shows culturais, apresentando cantores, como Nelson Gonçalves, Waldik Soriano, Coronel Ludugero, e até o cubano Bievenido Granda, cantado tangos e boleros de músicas cubanas e caribenhos, para a juventude, e cinéfilos cidadãos russanos. Inesquecíveis essas raras lembranças, por necessidade de uma formação humanística no cenário histórico-cultural, como crítica de libertação que deve ser transmitida para todas as gerações futuras, sem limitações impostas. Numa época quando estreava a Jovem Guarda, no Brasil, comandada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, foi construído o Muro de Berlim, o Presidente norte americano John Kennedy e o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, foram assassinados, quando se formava a banda de rock The Beatles, os Estados Unidos enviaram tropas para a guerra do Vietnã, Neil Armstrong pisava na lua, e a política se dividia entre o comunismo e o capitalismo. Com a ideologia do cenógrafo Marcondes, na popularização dos meios de comunicação, manifestação de eventos e sonoridade de sua bela voz de apresentador cultural, traçou o marco inicial com o avanço da tecnologia, da visão do mundo na transformação do progresso industrial, educacional e psicológico, para a esperança do povo com sede do saber. Como diz José Honório: “a história é conhecimento do eterno presente”. Essa relevante contribuição social iluminou o histórico patrimônio cultural de Russas.

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Airton Maranhão (in memorian)

.Originário de Russas – CE. Formado em Direito pela Universidade de Fortaleza – Unifor, advogado militante da Comarca de Fortaleza, e romancista. Livros publicados: Deusurubu, Admirável Povo de São Bernardo das Éguas Ruças. Romances: A Dança da Caipora, Os Mortos Não Querem Volta e O Hóspede das Eras. Membro da ARCA – Academia Russana de Cultura e Arte.

Airton Maranhão (in memorian)

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