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COLUNISTAS / AIRTON MARANHÃO

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BANDIDO FERNANDO DA GATA

Posto Araibu

Airton Maranhão

10//2/09/1

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Autor: Airton Maranhão
 
 
Fernando Soares Pereira nunca sequer imaginou
algum dia ser bandido que a história registrou
tinha alma inquieta versava como um poeta
e queria ser cantor.
 
E como Russas relembra terrinha de grande universo
de tantos filhos músicos, das letras e do verso.
Fernando Soares Pereira queria iniciar a carreira
como cantor de sucesso.
 
Era um menino pobre, bonito e muito inteligente
esperto, muito rápido e dos outros diferentes
vivendo na pobreza a fama da riqueza
morava em sua mente.
 
Como queria ser um astro fez música e poesia
como cantava muito mal, só a sua mãe ouvia
dizendo: “Fernando desista dessa vida de artista.”
Repetia ela todo o dia.
 
E quando era noite no silêncio do seu universo
quando todos dormiam ele fazia música e verso
música bonita sim, mas como cantava ruim
desistiu do ingresso.
 
Mentiram pra ele que outra mãe lhe tinha parido
enjeitado a uma senhora com três dias de nascido
jogando bola um dia soube de tudo na escola
o que tinha acontecido.
 
Com o seu pai Chaga da Gata revoltado
e mãe Fátima Paz que lhe tinha registrado
pais verdadeiros da vida por outra mãe pretendida
Fernando jamais foi adotado.
 
Com cinco anos de idade deu o seu primeiro tiro
quase matando um morador pras bandas do retiro
por causa de uma rolinha correu na horinha
para casa num suspiro.
 
 
Quando chegou a casa todos estavam sabendo
sua mãe deu-lhe uma surra e ele no choro prometeu:
“De arma, mãe” - enquanto chorava ããã. - “Mãe
já estou esquecendo.”
 
Promessa que nunca cumpriu tendo em sua guarda
o manejar da arma no início com espingarda
começou o seu jogo brincando com arma de fogo
querendo um dia ser guarda.
 
Sonhava com o Exército mas antes de ser soldado
já queria ser Sargento um outro sonho formado
tendo a sua primeira prisão no Distrito de Redenção
por furto em flagrante autuado.
 
Logo conseguiu uma farda de algum destacamento
passou por Sargento do Exército com seu talento
pegou também esse apelido e ficou conhecido
em Russas por Sargento.
 
Em Russas sua terra natal conheceu seu primeiro amor
a bonita Zeneide que passava cheirando a flor
foi quando certo dia ela na maior da covardia
sem mais nem menos lhe deixou.
 
Fernando da Gata sofreu a sua maior decepção
a primeira de sua vida naquela grande paixão
quando com outro ela fugiu, logo partiu
quase todo o seu coração.
 
Com 13 anos de idade para Fortaleza se mudou
morando com o seu tio na Capital estudou
e como um menino normal terminou o ginasial
trabalhando como encanador.
 
Na sua vida de estudante não ia à escola à toa
isso alegava a sua mãe com tanta nota boa
queria vê-lo um senhor com um anel de doutor
um homem de bem uma boa pessoa.
 
Ganhar muito dinheiro era o que tinha em mente
na sua grande ambição de ser um homem decente
a sua mãe queria ajudar e da pobreza retirar
aquela pobre gente.
 
Partiu para São Paulo com 17 anos de idade
trabalhou e conheceu aquela imensidade
mas veio o recrutamento naquele mesmo momento
voltou para a sua cidade.
 
Fernando voltou para Russas como anjo que não erra
sendo logo convocado para servir o Tiro de Guerra
por incrível que pareça raspou logo a cabeça
como os soldados da terra.
 
Ficou muito contente e foi logo se apresentar
para o exame médico com o cabelo de militar
para a sua maior decepção decretaram a sua prisão
sem o seu sonho se realizar.
 
Apenas por suspeita de furto naquela delegacia
fizeram investigação que nada mais dizia
sendo preso por suspeita, desta prisão feita
começou a sua agonia.
 
Daí por diante muito triste a sua vida mudou tudo
silencioso pelos cantos como um solitário mudo
já não era mais o mesmo toda noite vagava a esmo
matutando algo absurdo
 
Fátima Paz de tão cansada, tristonha, quase morta
preocupada como o filho e sua idéia proposta
não permitindo que ela fechasse nenhuma janela
nem também nenhuma porta.
 
Assim ficava Fernando acordado a noite inteira
pensando em alguma coisa da sua triste carreira
assim como um sonho de todo jovem tristonho
que pensa alguma besteira.
 
Fernando Soares Pereira vulgo Fernando da Gata
começou a carreira como bandido que não mata
para viver sempre fugindo e a justiça pedindo
uma sentença exata.
 
Alcunha Fernando da Gata era que o desgraçado
corria por cima dos muros e em qualquer telhado
com a agilidade de um gato fugia dentro do mato
com o corpo todo fechado.
 
A alcunha surgir também de uma maneira cruel
quando ainda criança quase diante do coronel
matou friamente uma gata o tal Fernando da Gata
lá dentro do quartel.
 
Fernando da Gata tinha uma oração muito forte
que lhe fazia mistérios de uma incrível sorte
São Francisco do Canindé era o santo de sua fé
que lhe protegia da morte.
 
Astucioso na sabedoria e impiedoso na arrogância
sábio nos grandes cercos ingênuo na ignorância
na malícia de um falcão fugia de qualquer prisão
e de qualquer vigilância.
 
Fernando da Gata era um filme, era um sonho
dizem que nunca morreu que era um demônio
deixando tanta gente mal-assombrada de repente
e um pai de lar tristonho.
 
Fernando da Gata foi um ladrão, um assassino
talvez um mero estuprador que desde menino
nunca pensou nisso para tal compromisso
com o seu próprio destino.
 
Não devia ter sido morto para servir de estudo
cada ser humano trás dentro de si um escudo
de vidro ou de prata, um dar a vida e o outro mata
o seu destino em tudo.
 
Muitas mães de famílias não esquecem a data
das façanhas daquele bandido que a história retrata:
“Isso não é verdade é um sonho tem parte com o demônio
esse Fernando da Gata.”
 
Como dizia Lúcio Flávio: “Bandido é pra ser bandido
ladrão é pra ser ladrão.” Somente um homem perdido
que não atingiu o seu ideal tornar-se marginal
por nada não ter conseguido.
 
Fernando da Gata invadia qualquer residência
e telefonava ao dono avisando com incrível paciência
a hora que chegaria e não passaria daquele dia
podia de logo ter ciência.
 
Como o mágico penetrava de tal jeito
que a surpresa e a espera do ludibriador sujeito
na invasão do domicílio fazia sem nenhum auxílio
e deixava o roubo e o estupro feito.
 
E fora os estupros os furtos e os assaltos
era o destino de um bandido que pensava nos altos
fugir da polícia na mais rápida perícia
por cima dos muros, pelos matos e asfaltos.
 
Fernando da Gata queria abarcar aquela carreira
e ser Sargento do Exército da armada brasileira
mas como se tornou um ladrão o destino por razão
mudou a sua vida inteira.
 
Daí tinha mais que ser um famigerado bandido
roubando, estuprando e sempre perseguido
como se pisa na fama não se tira o pé da lá lama
o destino maldito está escolhido.
 
Estupros e mais estupros na cidade de Jaguaruana
aterrorizou o povo de uma maneira insana
mesmo com a sua astúcia na cidade de Russas
foi mais uma vez em cana.
 
Fugindo, sempre fugindo por tetos e colunas
quando preso em Russas e também em Baraúnas
jogou gasolina no teto e como uma ave ferina
voou pelo telhado feito uma graúna.
 
 
Preso Fernando da Gata ninguém lhe tinha dó
atendendo a solicitação do nosso Juízo maior
de Russas para ser transferido o perigoso bandido
para a prisão de Mossoró.
 
De lá escreveu para a mãe Fátima Paz que forte
gostava tanto do filho lamentando a sua sorte:
“Com toda franqueza foi em legítima defesa
aquelas três mortes.”
 
Mas a versão da polícia não deixou nada a duvidar
que Fernando da Gata matou mesmo pra roubar
esse já era o seu time e mais algum crime
não poderia evitar.
 
Poucos meses depois, assim, sem nenhuma zoada
com um grampo de cabelo de sua nova namorada
de uma maneira suava fabricou uma chave
e fugiu de madrugada.
 
Abriu o cadeado da cela deixando o povo surpreso
e desse momento em diante nunca mais foi preso
fugindo furibundo a quase todo segundo
deixou o povo brasileiro teso.
 
Com a perseguição policial e fotografia em todo canto
suas vítimas aumentavam com o maior espanto
e muitas boas famílias, hoje têm as suas filhas
cobertas de nódoas e de pranto.
 
Existe uma história que quero que o leitor ouça
que a mãe do Fernando da Gata disse com toda força:
“100 mulheres estupradas essa história está errada
meu filho estuprava moça.”
 
Fernando da Gata sempre cartas escrevia
para a mãe e telefonava quase três vezes por dia
sem nunca contar nada a mãe sossegada
era o que ela mais desejaria.
 
Nunca confessou um crime nem a mãe lhe perguntava
se a mãe gostava dele, ele mais da mãe gostava
talvez até com medo guardava tudo em segredo
que outro bandido não guardava.
 
Fernando da Gata tinha um espírito forte
era um menino peralta que desafiava a morte
ouço muita gente dizer:  “Fernando ainda vai aparecer
rezando a desfazer a sua sorte.”
 
Dizem até que não morreu porque um soldado apontou
um revólver para a cara dele e o gatilho apertou
e Fernando sorrindo calmo foi logo saindo
e a arma não disparou.
Certa vez numa estrada encontrou uma velha senhora
e inteligente perguntou: “Se surgisse nessa hora
aqui nessa mata o bandido Fernando da Gata
o que faria agora?”
 
“Eu acho que morreria ou não estava mais aqui
aquele é o pior bandido e jamais eu conheci
um assassino ladrão, calculista sem compaixão
ouvi falar dele no Aracati.
 
Não confie nele meu senhor é um bicho que viveu
muitas histórias estranhas e a polícia já lhe prendeu
e ele escapou pela mata.” - “Eu sou Fernando da Gata
Fernando da Gata sou eu.
 
A senhora não se assuste que não vou fazer nada
pode seguir o seu caminho com a alma sossegada
sou como qualquer homem mas a desgraça faz o nome
nesta vida desgraçada.”
 
Mas outra história parece ser bem real:
“Se senhora encontrasse” - disse a uma pobre tal.
“O Fernando da Gata o que faria?” – Na hora exata
respondeu. “Nada, ele nunca me fez mal.”
 
Sorrindo Fernando da Gata respondeu à pobrezinha
no seu modo estranho da inteligência que tinha
disse: “Vá embora.” Ela foi à mesma hora.
“Você é uma das minhas.”
 
Seu nome foi se espalhando atemorizando o sertão
por onde passava atormentava a população
e os esquadrões de polícia com toda sua perícia
não conseguiam a sua prisão.
 
De todos os policiais disse aquele mais experiente:
“Fernando da Gata é um sujeito inteligente
tendo a prisão efetuada no cerco da caçada
e ele foge da gente.”
 
Fernando da Gata era durante o interrogatório
um indivíduo consciente no seu contraditório
tinha o ponto de vista do mais inteligente calculista
no seu falatório.
 
Fernando da Gata era um facínora de malícia
orgulhoso e astuto não respeitava nenhuma milícia
com apenas um grampo abria qualquer algema
e entregava-a a polícia.
 
Fernando da Gata ameaçava do juiz ao delegado
ameaçava, telefonava, mandava bilhete e recado
que ele como ladrão ia invadir tal mansão
deixando o General Assis desmoralizado.
 
Fernando da Gata furou todo o cerco policial
no Ceará, São Paulo e Minas Gerais onde o marginal
por castigo foi furado por um mendigo
que usava um punhal.
 
No Ceará quando a polícia caçava em bando
o perigoso bandido no Aracati cercando
noutro itinerário com os chinelos ao contrário
despistava o Fernando.
 
Para o Fernando da Gata fizeram samba enredo
filme, poesia, literatura de cordel e folguedo
embora temido para muitos tornou-se querido
até pela polícia que dele tinha medo.
 
Fernando da Gata o mais famoso bandido do país
embora deixando muita gente infeliz
demais seu rosto estampava em todos os jornais
zombando do Estado e do juiz.
 
Todo o milionário deste imenso país temia a invasão
do Fernando da Gata o perigoso ladrão
um comerciante matou a filha pensando ser o meliante
que invadia a sua mansão.
 
Fernando Soares Pereira não queria ser ladrão
queria ser artista, gravar um disco e cantar na televisão
querendo ser militar uma farda passou a usar
como Sargento da nação.
 
Fernando da Gata - Fernando Soares Pereira
em Santa Rita de Sapucaí morto pela polícia mineira
foi enterrado quatro vez a última no nosso Estado
em Russas, num ataúde de madeira.
 
O bandido Fernando da Gata assim foi enterrado
no cemitério de Russas e no seu mais visitado
túmulo promessas e graças afirmam alguns
russanos já terem alcançado.
 
Airton Maranhão
Advogado e escritor      

Membro da Academia Russana de Cultura e Arte – ARCA

Airton Maranhão

Originário de Russas – CE. Formado em Direito pela Universidade de Fortaleza – Unifor, advogado militante da Comarca de Fortaleza, e romancista. Livros publicados: Deusurubu, Admirável Povo de São Bernardo das Éguas Ruças. Romances: A Dança da Caipora, Os Mortos Não Querem Volta e O Hóspede das Eras. Membro da ARCA – Academia Russana de Cultura e Arte. 

Airton Maranhão

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